O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

A Clara Menina: Regina Figueiredo

Fiz esses contos com intenção de “traduzir” para a linguagem mitológica alguns aspectos da vida real da mulher entrevistada no nosso livro O feminino e o sagrado: mulheres na jornada do herói.
Então, para esclarecer os que ainda não leram o livro e relembrar a quem leu, antes do conto há um pouco da biografia da pessoa a quem se refere.

A entrevista com Regina aconteceu em sua casa, onde mora e faz seus atendimentos.
A casa é clara e iluminada, parecida com a energia transmitida por Regina, algo como de “limpeza espiritual”.
Casada, com três filhos e netos, ela parece mais nova que sua idade; tem grandes olhos claros, aparencia recatada, fala baixo, contida, e só se solta um pouco ao final da entrevista.
Sua grande questão, seu grande conflito, foi conciliar um profundo catolicismo
com os inegáveis dons paranormais. Quando pequena até pensou em ser freira, mas com a oposição do pai acabou desistindo. Muito mais tarde, só assumiu seus dons mediúnicos
quando o marido ficou doente.
Hoje, ela trabalha como terapeuta usando reiki, florais, cristais, faz trabalhos com radiestesia e com limpeza energética de ambientes, e tem um mentor espiritual, de nome Aureliano.

No Reino vizinho ao nosso, nasceu uma princesa muito branca e clara.
Desde pequena, ela sentia que pertencia a um outro lugar, um Reino Claro como ela, situado em terras mais altas.
Quis partir para procurar esse outro Reino, mas seu pai ficou tão triste que ela concordou em ficar, com uma condição: que ele mandasse pintar de branco as paredes daquele velho castelo. Naturalmente, o Rei fez isso, e tudo ficou brilhante.

Tudo, menos o porão, onde nem os pintores tinham coragem de ir, de tão escuro que era.
Mas uma princesa de verdade não poderia deixar as coisas pelo meio. Sendo assim, ela achou que teria que tinha que dar o exemplo. Ordenou que os pintores a seguissem, e desceu pessoalmente.

Quando a claridade de sua pele, refletida pela tocha, iluminou os arcos das grossas paredes, acordou alguns fantasmas ali adormecidos.
Apavorada, ao ver os vultos sem forma e ao ouvir seus sons cavernosos, a princesa subiu as escadas correndo.

Mas eles a seguiram, porque também esses seres procuram a luz. E continuaram andando atrás dela por todo castelo.
Ela via suas sombras em todas as salas e jardins. E não queria, de jeito nenhum, lidar com aquilo. Repetia para eles:
– Não quero nada com vocês! Voltem para a escuridão de onde vieram!
Custou um bocado, mas por fim as sombras foram se evanescendo, até sumirem de vez. E a princesa jurou que jamais desceria aos porões de novo.

Até que, certo dia, seu amado príncipe veio visitá-la e escorregou nas escadas de mármore branco. Caiu, quebrando pernas e costelas, e foi despencando até os porões.
Seus servos tiveram que instalar o príncipe lá mesmo, numa cama improvisada. Muito mal, ele chamou pela princesa.

Uma princesa de verdade não poderia se recusar a ir. Sendo assim, ela voltou aos porões, murmurando:
– Vou, e seja o que Deus quiser.
Mas, para sua surpresa, no porão mais baixo e escuro, ela ouviu uma voz que não conhecia, mas que lhe pareceu familiar:
– Para poder curar, você deve me escutar.
Não tenha receio: eu estou aqui para ajudar.

Mesmo sem saber se aquela voz vinha de seu próprio coração ou de algum dos fantasmas que já tinha entrevisto, a princesa sentiu que poderia confiar nela.
E assim, seguindo suas sábias orientações, ela cuidou do príncipe, que logo se curou. Cada vez mais confiante, percebeu que, ouvindo o que a voz lhe dizia, ela poderia ajudar também a outras pessoas, e até mesmo a alguns dos fantasmas mais assustadores.

O curioso é que, ao mesmo tempo em que se acostumava com as sombras, ela ia iluminando todo o porão com sua tocha, seus cuidados e seu amor.

E o porão foi clareando, clareando… Até que, num estalo, a princesa descobriu que ali mesmo era aquele Reino Claro, ao qual ela achava que pertencia desde pequena.
Ele não ficava terras mais altas, como tinha pensado, mas sim bem baixo, imerso na escuridão, para onde ela mesma é que deveria levar a luz.

4 comentários

  1. Que lindo! Estou lendo o livro e é uma delicia acompanhar o blog simultaneamente…são coadjuvantes…
    obrigada;
    Patricia

  2. Queridas amigas.Fiquei muito feliz com o presente de Natal .Dezembro é muito especial pela beleza da festa cristã e pela finalização de um ano com a esperança de novos tempos.Quero agradecer o carinho e as belas palavras. Que elas continuem inspirando vocês em novas histórias especiais.Fica aqui o meu abraço,a minha admiração e o meu desejo de Boas Festas e um Ano novo repleto de novidades e conquistas. Regina Figueiredo.

  3. Laura disse:

    Que coisa mais linda e delicada.

    Parabéns pelo blog!

    Laura

  4. Anônimo disse:

    Cris e Bia… que inspiração maravilhosa de uma história maravilhosa. As imagens do porão são inevitáveis na minha cabeça… e a delicadeza e força desta mulher que, em nome do AMOR, enfrenta o escuro porão. É um trabalho especial, com certeza. Parabéns as tres mulheres.
    Neiva Bohnenberger

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