O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Circulo de Gente!

Texto de PATRICIA VIGNOLI

Fui convidada para participar de uma roda – I Jornada rumo ao Feminino Sagrado organizada pelas escritoras do livro O Feminino e o Sagrado, Bia Del Picchia e Cristina Balieiro e algumas convidadas que participaram das histórias do livro. 
Primeiro veio a emoção de encontrar estas guerreiras relatadas no livro que com coragem contaram as suas experiências nos mostrando a intensidade dos processos para permitirmos a expressão da nossa essência. A peregrinação é difícil, mas somente assim fazemos o Caminho do Herói, mais uma vez e mais uma vez. Porque uma vez com as ferramentas obtidas (com muito esforço) continuamos a subir a cachoeira, a montanha pois sabemos o que está do outro lado – temos fé! 
E com esta fé Cassia Simone nos contou um estória/História, no formato de fábula que nos remetia às duas escritoras. O circulo atento e, vagarosamente eu ia sendo remetida ao meu inconsciente infantil e ao mesmo tempo às fogueiras onde as sacerdotisas contavam as historias para o seu grupo, limpando assim a mente e trazendo a atenção para a magia existente ali. 
A roda era mista. Tinham homens, que tinham conhecimento, admiração e respeito por nós. E que tinham também o feminino inserido neles, com sabedoria e sensibilidade. Uma delicia isso. 
Fecho os olhos e descubro depois que outras pessoas sentiram a presença da Corça – o símbolo da gentileza, da compreensão, da comunicação amorosa. E com este convite adentramos a floresta aos sons de tambores comandados pela Monica Jurado – tinha uma moça que cantava mantras indianos em devoção a Avalokitesvara – Kuan Yin…e todas as cores do arco iris vinham descendo junto com os totens a nos saudar em mais uma linda viagem à floresta das sensações, do inconsciente, dos desejos. 30 minutos que foram uma eternidade de beleza e harmonia. É assim quando nos encontramos para fazer o bem? O tempo para a fim de observar o que acontece. 
Depois desta emoção que nos levou ao silencio tivemos uma aula com a Mãe Solange, mulher sabida do mundo do Candomblé e cheia de alegria e simplicidade para nos ensinar um bocadinho desta mitologia. Mãezona feliz, grande mestra. Nos acordou da meditação anterior com as gargalhadas e como não poderia deixar de ser o ancoramento de todas as energias que foram evocadas. 
Mulheres quando se encontram tomam chá, conversam e se lembram de falar do cabelo, do espaço, do preço dos apartamentos, nada fica de fora, tudo é sagrado. TUDO O QUE MOVE É SAGRADO. E fazemos muito bem isso, sem proibições e regras, respeitando sempre o momento e as intuições. 
E assim voltamos para uma dança circular, conduzida pela Renata…meditação consciente e ativa…olho no olho, mão com mão. Estamos aqui/agora. 
Monica Von Koss nos dirigiu para a Mitologia Oriental contando um bocado do seu novo livro que é uma pesquisa profunda do feminino nesta região. Interessante podermos enxergar o mundo na roda. A África, o Japão, a Índia, o Brasil, Europa, tava tudo ali. 
Jerusha nos trouxe o Tai Chi com seus movimentos delicados nos trazendo de volta para os músculos, ossos e respiração. Pequenina e Intensa. Grande Mestra… 
E fechamos assim a roda com mais um bailado de celebração. Uma tarde, uma tarde… UMA VIDA E MUITAS VIDAS! O que permanece são os olhares, sorrisos, curiosidades, sons. 
O circulo nos faz iguais, espelhos e é muito bom se ver, sentir. Os tambores ressoarão por muito tempo por aqui, e meu totem me seguirá. Assim como o Axé, o tônus no abdômen para manter a respiração e o tempo, a pesquisa e o estudo, e o retornar para a tribo. Ir e ter aonde voltar. 
bjs a todas e muita gratidão; 
Patty 

Esse texto, de que gostamos tanto que pedimos a sua autora autorização para publicá-lo aqui,  é da querida Patrícia Vignoli. Vocês podem ler outros textos dela no seu blog 
http://www.mapasdocaminho.blogspot.com/

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