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Filme: A invenção de Hugo Cabret e a BLISS de Martin Scorcese

 
Esse filme conta a história de Hugo, um órfão (sempre os órfãos!) que vive numa estação de trem de Paris, onde cuida da manutenção de todos os relógios, função que era antes de seu pai e depois do tio. 
Hugo precisa viver escondido para não ser enviado ao orfanato pelo Inspetor da estação, personagem que parece um vilão mas que aos poucos vai se humanizando.
Pobre, ele comete pequenos roubos numa loja de brinquedos para tentar consertar um robô que o pai começara a montar, onde ele desconfia que tem um enigma.
Pego pelo dono da loja, ele conhece a curiosa Isabela, menina que irá acompanhá-lo em suas aventuras.

Achei muito interessante que, quando Isabela pergunta por que ele se esforça tanto para ajudar seu tutor a recuperar uma vocação perdida, Hugo diz:
– Nós somos como os relógios: precisamos fazer o que viemos fazer nessa vida. E, como conserto relógios, posso consertar pessoas que estão quebradas também…  
Ele não está falando sobre o trabalho da pessoa, mas sim de seu seu talento, vocação, dom … Em outras palavras, de sua BLISS!
Nesse sentido, também  me chamou atenção esse trecho de  entrevista com o diretor Scorcese que peguei na UOL:

– Por que você fez Hugo? Seria autobiográfico?
– É possível. Hugo conta a historia do isolamento de um menino, que vivia escondido em uma estação de trem, observando o mundo ao seu redor. Tudo termina então em um projetor de cinema. Essa história é parte da minha vida, especialmente quando eu tinha 3 anos. Eu era muito solitário. O único lugar em que eu conseguia encontrar algum entretenimento era na sala de cinema. Lembro que foi na minha infância que um amigo da família me apresentou um projetor. A partir desse acontecimento tudo mudou. Fiquei fascinado com o raio de luz que ele emitia e a imagem que ia se movendo. Esse se tornou o meu mundo. Na época, eu era muito isolado por causa da asma. Por esse aspecto, diria que Hugo Cabret pode ser um filme autobiográfico, sim.

Ou seja, isso se trata da própria bliss do Scorcese, que se manifesta lá na infância…

No mais, os atores são ótimos – principalmente o vilão Ben Kingsley e os meninos,  Asa Butterfield (Hugo) e Chloe Moretz (Isabella); a ambientação perfeita, da Paris dos anos 20, e o filme foi indicado a varios Oscars.
Para quem gosta do gênero, vale a pena.
 Texto de Beatriz Del Picchia

1 comentário

  1. Ana K. disse:

    O filme é lindo!!! 🙂

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