O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O que de fato tem valor ?

Há um tempo atrás, uma leitora do nosso livro, disse a Bia que o livro a havia emocionado e ajudado a ela nomear aquilo que havia vivido e não sabia dar um nome. 
A Bia contou isso a uma sua tia querida, e ela, com sua sábia serenidade, disse: “Mas é claro, Bia, que ela foi “tocada”, afinal, no livro vocês valorizaram a experiência vivida”! 
Essas palavras ficaram reverberando na minha cabeça e me fizeram refletir sobre algumas coisas. 
 É curioso como a matéria prima do viver: as experiências de e na vida, não são valorizadas em nossa cultura. O que conta como importante sobre uma pessoa é, em primeiro lugar, o quanto ela é rica em “coisas”: se ela tem um daqueles carros enormes, com bancos de couro de crocodilo australiano, GPS que fala 5 idiomas, espaço para 12 pessoas (apesar de que só uma é que vai usar), se mora em um apê de 3500 m² com varanda, piscina e cachoeira, se só veste Prada (como o diabo) e outras “cositas” mais… 
Ou então forma de também se medir a riqueza de alguém são seus símbolos de status: se é CEO de uma empresa que fatura 400 quaquilhões (deve ser do Tio Patinhas), se só bebe vinho de 20 mil a garrafa (mesmo que goste mesmo é de cerveja), se pertence à família real do Cazaquistão, se é hospede VIP do Castelo de Caras e etc etc etc… 
Para a visão média alguém assim é milionário!!! 
Claro que exagero (afinal, como diz a Bia, eu sou a Loira Exagerada), mas no exagero e na caricatura, muitas vezes podemos ver melhor o ridículo de algumas de nossas crenças, ou das crenças da cultura onde vivemos e que sem perceber acabamos tomando como nossas.
Na verdade, na minha opinião, se uma pessoa tem TUDO isso, mas SÓ tem isso, ela não é rica, é pobre. Pobre como gente, rasa, chata! 
No fundo ela não tem nada: se é só isso que tem, só tem entulhos; imensamente caros, porém entulhos! 
Não estou pregando a pobreza ou o ascetismo, vejam bem: gosto de uma casa bonita, adoro um bom vinho, acho ótimo roupas de seda e também outras “cositas” mais. Mas a hiper valorização disso e o absurdo exagero do que as pessoas acham que precisam hoje para bem viver é muito triste! 
O que faz alguém rico como gente, interessante, instigante, são as experiências que essa pessoa viveu. E experiência não só como acontecimentos. Para alguém de fato experienciar algo, tem que se permitir ser impactado, ser remexido, ser questionado e ser modificado por aquilo que está experimentando. Implica em estar aberto para o que a Vida lhe traz, de bom ou ruim! 
E quem faz isso pode se tornar RICO: de histórias, de reviravoltas, de aventura, de sabedoria, de humanidade. 
E, é no encontro de gente assim que podemos nos enriquecer também.

Texto e ilustração de Cristina Balieiro

3 comentários

  1. Queridas, quem tem história reconhece sua tribo humana, seu semelhante. Nos atraimos pelo cheiro que só o suor de quem percorreu caminho traz. Buscar conhecimento e entendimento torna-se uma aerobica salutar – viciante e delicioso produtor de serotonina inteligente nas veias. Hoje os membros da nobre tribo se unem numa roda virtual em prol de uma vida boa, da Mãe Terra Sagrada e Feminina. As vezes aqui, outras ali, mas falando sempre o mesmo idioma – AMOR. bjs queridas e até breve!

  2. Charles disse:

    Isso me lembra uma frase que vi rabiscada por aí>
    "Ele é tão pobre que só tem dinheiro".
    Acho que vai no espírito desse post.
    Ao mesmo tempo, é trabalhoso abrirmos mão de todos os preconceitos quando conversarmos com alguém. Trabalhoso, mas bom. Se abrirmos bem os olhos é fácil enxergar por trás de alguém as experiências que a construíram. Mais do que isso: as escolhas que essa pessoa fez, o modo pelo qual superou as dificuldades. Ver uma pessoa desse modo deveria ser mais fácil e comum.

  3. Acho que e por isso que eu e a Bia ADORAMOS historias de vida( de gente que realmente vive, e claro!).
    Elas trazem tanta riqueza e beleza que enriquecem e embelezam a vida da gente!!!

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