O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Vide São Cristóvão

Texto de ELAINI SILVA


Esse texto é de outra amiga, ELAINI, que no seu blog – www.1diadecadax.wordpress.com – logo depois do lançamento do nosso novo livrinho, fez essa reflexão bem legal unindo São Cristovão e a Jornada do Herói. Gostamos muito, pedimos permissão à ela e hoje postamos aqui. 
Conta a história que Reprobus, Relicto, ou, mais tarde, Cristóvão, para os íntimos, foi filho de um rei pagão da região do Oriente Médio e tinha como objetivo de vida servir o homem mais poderoso do mundo. 
Em sua busca, serviu a guerreiros e imperadores e percebeu que mesmo os mais fortes temiam alguém ou alguma coisa. 
Um dia, enquanto descansava à beira de um rio, conheceu um velho eremita cristão que morava na região, para quem contou sua história. 
Enquanto conversavam, chegou uma caravana para atravessar para o outro lado do rio, mas não havia ponte, e a travessia era perigosa, em razão da correnteza. 
Reprobus foi convencido pelo eremita a auxiliar àquelas pessoas a cruzar o rio, mas que jangada que nada, levou-as todos sobre seus próprios ombros, cruzando a correnteza do rio com as forças de suas próprias pernas. 
Eis que, ao levar uma criança de um lado para o outro do rio, no entanto, Reprobus se vê em uma situação absolutamente inesperada para um homem com sua força e estatura: à medida que vadeava o rio, o menino se tornava cada vez mais pesado – tão pesado como se o mundo inteiro tivesse sobre seus ombros, e ele não pudesse terminar de cruzar o rio. Posso sentir, neste exato instante, o desespero de Reprobus: exaurido por um esforço desumano, não poderia considerar o abandono de sua caminhada uma opção, pois a criança tinha de chegar a salvo ao outro lado do rio, o que aconteceu. Quando chegou, a criança se revelou o Cristo, e Reprobus se tornou “Cristóvão”.
Para variar, como alguns dos meus santos preferidos, Cristóvão não é totalmente reconhecido pela Igreja Católica, mas quem vai negar sua simbologia (tão forte como a de São Jorge)? De minha infância, por exemplo, a festa do 25 junho, quando meus pais levavam todos os carros e caminhões para benzer e colocar uma medalha de São Cristóvão, é uma constante.
Hoje ocorreu o lançamento do livro “Mulheres na Jornada do Herói: pequeno guia de viagem” da Bia Del Pichia e da Cris Balieiro– e, acreditem ou não, – e foi justamente a história de Cristóvão que me veio à mente quando comecei a ler o livro. 
A jornada é dura, mas sempre chega a um fim, se estivermos engajadas com o nosso propósito, não importante quão exaustiva seja – e, uma vez alcançado esse “fim”, voltamos sempre um pouco diferentes para o outro lado do rio.

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