O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

A história de Rosália e a nuvem rosada

Conto quase de fadas, que narra a historia de uma moça que não queria nada do que via porque  não era o que queria ser…. 

Rosália sempre gostou de coisas distantes.
Coisas como países longínquos, a Tailândia ou o Nepal. 
Castelos de conto de fadas, amigas perdidas na infância, sonhos sobre a Lua.

Rosália não gostava do Fabrício, por exemplo, que era louco por ela.
Gostava mais do inacessível Tom Cruise, ou do Arthur, um namorado que partiu para outro continente e sumiu.
Quanto mais distante, melhor.

Essa característica dava a Rosália um olhar vago, um jeito de quem está aqui e ao mesmo tempo não está.
Algumas pessoas achavam que isso era charmoso.
Outras ficavam impacientes e tinham vontade de sacudi-la: 
“- Acorda, menina!
Mas não era o caso de acordá-la porque ela não estava dormindo, só estava querendo o distante.

Bem que Rosália tentou lidar com coisas próximas. Até se casou com o Fabrício, mas logo estava distante dele.
Teve outros amores, que acabaram ficando lá longe.
Teve alguns trabalhos, mas só gostou mesmo foi de guia de turismo, porque sempre tinha de ir para outro lugar, além.

Certo dia, do alto de uma montanha para onde conduzira seus clientes, Rosália viu no distante horizonte uma nuvenzinha rosada.
Tinha raios dourados, e parecia muito macia.
É a coisa mais linda que já vi, pensou, querendo ficar bem pertinho dela.

Como se ouvisse, a nuvenzinha veio vindo, veio vindo…  Quando chegou perto o suficiente, Rosália entrou nela.
E foi como se os espaços entre suas células se esticassem, deixando rosados vazios entre elas. Quando o vento a levou para além da montanha, Rosália finalmente descobriu quem era.

Então, quando você vir no horizonte uma nuvenzinha distante, rosada e leve, já sabe que seu nome é Rosália.
E que ela é muito feliz assim, sempre vaporosa, viajante, além do além.
 
Texto e composição gráfica de autoria de Beatriz Del Picchia e desenho de Cristina Balieiro. 

1 comentário

  1. Eu adoro as invencionices (palavra e ação Emilianicas ou Emilisticas) que a Bia faz com meus desenhos. Mas adorei especialmente essa transformação que ela fez de uma princesa de azul na Rosália de rosa – a Bia achou a alma do desenho e ele é rosa e vive nas nuvens. Amei o conto!
    Cris

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *