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O que é mito, segundo Joseph Campbell

Exatamente, o que são mitos? Para que servem? São sinônimos de mentira?
Para começar a esclarecer esse conceito tão mal interpretado, hoje trazemos o próprio Joseph Campbell e suas iluminadas palavras:

A tendência comum nos dias atuais de interpretar a palavra “mito” como significando “inverdade” é quase com certeza um sintoma da incredibilidade e conseqüente ineficácia de nossos próprios ensinamentos míticos ultrapassados, tanto os do Velho quanto do Novo Testamento: a Queda de Adão e Eva, os Mandamentos, as Chamas do Inferno, o Segundo Advento do Salvador etc., e não apenas desses Testamentos religiosos arcaicos, mas também dos vários, mais modernos, e seculares “utopiatos” (vamos chamá-los assim) que estão sendo oferecidos para substituí-los.

Mitos vivos não são idéias equivocadas e não nascem em livros.
Não devem ser julgados como verdadeiros ou falsos, mas como eficazes ou ineficazes, salutares ou patogênicos. 
Assemelham-se mais a enzimas, produtos do corpo no qual agem, ou de grupos sociais homogêneos, caso em que são produtos do corpo social. 

Não são inventados, surgem, e são reconhecidos por videntes e poetas para serem em seguida cultivados e usados como catalisadores de bem-estar espiritual (i.e., psicológico). 

E, por último, não sobreviverá a mitologia velha e tardia, nem a inventada ou falsa, e tampouco os sacerdotes e sociólogos que tomam o lugar do poeta-vidente — o que, contudo, é o que todos nós somos em nossos sonhos, embora, quando acordamos, possamos falar apenas em prosa.

“Da mesma forma que aqueles que não conhecem o lugar”, lemos no Chandogya Upanishad, “podem passar e repassar sobre o tesouro oculto de ouro sem descobri-lo, assim todas as criaturas andam, dia após dia, neste mundo incondicionado de ser-consciência-beatitude sem descobri-lo, porque desviadas por falsos pensamentos.”
Extraido do livro “O VOO DO PÁSSARO SELVAGEM – ENSAIO SOBRE A UNIVERSALIDADE DOS MITOS”, de Joseph Campbell, Ed Rosa dos Tempos, 1997.

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