O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O modo feminino….”de viajar”

Quando pensamos na palavra herói, a imagem que surge é a de um “cowboy” cavalgando solitário ao por do sol, ou a de um espadachim lutando contra doze inimigos para salvar a princesa, ou a de um super herói que, sempre sozinho, salva o planeta… 
Não é esse o tipo de imagem que aparece nas histórias de heroínas. Enquanto os homens partem sozinhos para a luta, deixando tudo para trás, as mulheres tendem a levar junto os amores, filhos, amigos, cachorros, papagaios… 
Elas mantêm e/ou criam mais vínculos, trocas e cooperação e integração com seu meio ambiente. Diferentes pessoas, circunstâncias e eventos vão se somando de tal modo que, em muitas histórias de heroínas, não se destaca uma só mulher, mas várias. 

Eu encontrei muitas “irmãs” na vida que me ajudaram de diversas formas na minha caminhada. São aliadas, que me ajudaram no aprendizado… Queria cuidar dos meus filhos, queria fazer tudo muito bem-feitinho, mas eu também queria cuidar de mim, precisava também… Eu fui uma mãe muito presente, apesar de estudar e trabalhar… 
ANDREE 

Menos focada do que a masculina, a trajetória feminina parece não se desenrolar de forma linear. Lembra mais aqueles círculos que se formam ao jogarmos uma pedra na água, que vão se ampliando, multiplicando e diluindo até se reintegrarem completamente ao meio líquido. 
Então, uma boa imagem para a Jornada de uma mulher pode ser uma tapeçaria tecida por múltiplas mãos… Ou aquelas antigas colchas de retalhos, nas quais as comadres teciam, costuravam e emendavam coisas diferentes. 
 Foi assim que fizemos nosso livro: ele é fruto de nossa amizade e parceria, da generosa fala de nossas entrevistadas e de outras pessoas que foram se integrando ao projeto. 

Nunca, na minha vida, me senti tanto fazendo parte de um universo feminino tão acolhedor, aconchegante, encantado. Não sei se, no fundo, eu não tenho a fantasia de pertencer a uma irmandade feminina (talvez a um imenso harém, sem sultão) onde se criem filhos, se teça, se faça arte, artesanato e se compartilhem histórias. Acho que isso vem também por causa de meus 25 anos vivendo dentro de corporações tão fortemente patriarcais… 
CRISTINA 

É bom esclarecer que não estamos nos referindo a homens e mulheres em termos concretos, e sim à energia feminina e masculina, aos princípios Yin e Yang. Nossa referencia é simbólica e não sexista. 
Há muitas mulheres que adotam e reforçam os padrões patriarcais vigentes, assim como há muitos homens que os contestam. 
Além disso, o problema não é tanto o padrão em si, e sim a exclusividade e predominância dele, que forçosamente traz um desequilíbrio. Então, acreditamos que podemos fazer a Jornada de outra maneira, tendo a liberdade de experimentar a outra polaridade – yin – do possível. Assim tecemos nossa parte da colcha e ampliamos a consciência do mundo. 
 
TRECHO DO LIVRO “MULHERES NA JORNADA DO HERÓI – PEQUENO GUIA DE VIAGEM”, de Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro, editora Ágora, 2012

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