O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

As deusas e nós, mulheres contemporâneas

A cultura em que nós ocidentais vivemos há pelo menos 6 séculos pode ser definida como patriarcal, uma cultura, entre outras coisas, hierárquica, que valoriza o princípio da força, do domínio e do masculino e que sempre subjulgou as mulheres, de uma forma ou outra. 
Mas, desde o começo do século XX e principalmente o partir do sua segunda metade, o movimento feminista ( e outros movimentos libertários) vêm bombardeando essas práticas de submissão feminina ( e outras minorias), em termos políticos, culturais e nas relações cotidianas entre homens e mulheres. Não quero discutir os acertos e erros do movimento feminista, mas me parece totalmente lógico que uma cultura considere que metade da população pode e deve dominar a outra metade….essa cultura TEM que ser questionada. 

E o patriarcado não é “coisa” de homem: é uma cultura baseada no poder que fere e limita tanto as mulheres quanto os homens e que tira o poder real e simbólico das mulheres e de tudo que possa ser visto como “feminino”. Esses milenios de dominação tiveram um preço bem alto: eles ocultaram, distorceram e desonraram o Princípio Feminino. 
Nós mulheres contemporâneas, nascidas nessa cultura (que apenas engatinha para se modificar) não sabemos direito o que é ser uma mulher “não definida pelo patriarcado”. Precisamos juntas buscar essa identidade. 
E um dos modos principais de acessar nas mulheres de hoje, sua mais autêntica vitalidade, seu prazer de viver como mulher e seu poder pessoal é mergulhar no Feminino Profundo que vive no nosso inconsciente, nos mitos, nos contos de fada, na arte, nas deusas. 

Falar das deusas é uma nova maneira das mulheres falarem de si e de suas novas possibilidades, é uma nova linguagem simbólica e como todo símbolo vivo pode alimentar nossa alma. 
Eu acredito, como dizia o grande estudioso de mitologia comparada – Joseph Campbell – que todas as deusas são “máscaras da Deusa”, são as máscaras que as diferentes culturas e tradições revestem o Sagrado. E não estou falando de religião, mas de transcendência e da experiência pessoal com o aspecto numinoso, espiritual. 
Acredito que todas as deusas e não importa a tradição, “carregam” e nos trazem aspectos do Feminino Sagrado e de seus Mistérios. 
E todas as deusas também, ao mesmo tempo, são metáforas dos processos psicológicos humanos, simbolizam aspectos que existem em potencial em todas as mulheres, os já vividos e os ainda não. 

Vou então, a partir de agora, postar artigos falando sobre deusas, sempre do ponto de vista do seu aspecto simbólico e de que “ensinamentos” elas podem trazer para nós. 
É importante ressaltar que como todo mito e todo símbolo, se prestam a inúmeras interpretações, por isso são tão ricos. O que vou dar é uma interpretação! 
 Mas não é só minha, todas as interpretações para as diferentes deusas que vou fornecer são fruto do trabalho com inúmeros círculos de mulheres que eu e minha “irmã de alma”e companheira de jornada, Cassia Simone fizemos e fazemos desde 2008. 
Carregam as vozes e as almas de MUITAS mulheres! 

Texto de Cristina Balieiro

Esse artigo foi publicado anteriormente no site http://www2.uol.com.br/vyaestelar – na categoria A MULHER E O MITO, na qual escrevo quinzenalmente.

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