O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

HÉSTIA e a busca de nosso centro interno

Seu mito 

Héstia, a mais discreta das deusas gregas, praticamente não tem mito (relatos ou histórias ) sobre ela, apesar de ser a irmã mais velha de Zeus e fazer parte dos 12 principais deuses do Olimpo. Ela personifica o Fogo Sagrado, é a deusa da lareira. Todas as casas gregas e depois romanas, tinham uma lareira central, assim como toda cidade tinha sua lareira no centro do templo, onde o fogo deveria estar sempre aceso. Metaforicamente ela é o fogo sagrado do centro da lareira do lar, da Polis (a cidade grega) e da Terra/Planeta. Assim como o fogo doméstico era o centro religioso do lar dos homens, o fogo público nos templos era o centro religioso da cidade, Héstia era o centro religioso do lar dos deuses, do Olimpo. 
Raramente vista em esculturas (normalmente é representada pela imagem de uma lareira redonda) quando o é, está sempre com vestes que a cobrem toda e transmitindo uma imobilidade total. Como diz a analista junguiana Ginette Paris, no livro Meditações Pagãs: “Ela não deixa seu lugar; é preciso ir até ela”. 
Apesar de quase não ter mitos ela era honrada em todas as casas e templos e agraciada com inúmeros rituais. Por exemplo, quando um casal se casava, a mãe da noiva acendia uma tocha na lareira da sua própria casa e levava o fogo para a nova casa da filha acendendo a lareira de lá, levando “Héstia”para tornar sagrada a nova casa. Da mesma forma quando pessoas partiam de uma cidade grega para criar novas colônias levavam o Fogo Sagrado para acender a lareira no centro do “novo lar”. O fogo sagrado tinha que ser sempre ser mantido aceso e alimentado em cada casa, assim como em cada templo. 
Em Roma, Héstia foi chamada de Vesta e suas sacerdotisas, as vestais eram as responsáveis pela guarda do fogo nos templos. 

O que Héstia pode nos ensinar : 

Que todos nós, especialmente nós mulheres, para quem a casa representa tanto nosso espaço interno, devemos ter sempre, no local onde vivemos, um lugar onde Héstia, como representado nosso fogo sagrado, nossa energia vital, nossa alma possa “habitar”. Devemos ter nesse lugar objetos e lembranças significativos e importantes para nós e enfeitá-lo para que seja nosso “centro”, dentro da casa em que vivemos. Mesmo que só tenhamos um quarto ou até parte de um quarto,  devemos reservar um cantinho nosso e da nossa Héstia interna, onde possamos nos sentir em casa, protegidas da luta diária e onde possamos recuperar nossas forças, energia e aquietar nossa mente e nosso coração.  

Mas, mais importante que esse centro dentro da nossa casa, precisamos construir esse centro dentro de nós. Um espaço de quietude, de serenidade, mas com nosso “fogo sagrado”, onde possamos voltar, especialmente quando estivermos mais perdidas de nós mesmas. Construir esse espaço pode ser tarefa para toda vida, mas só a partir dele é que podemos aspirar a uma certa sabedoria diante da vida.

      Texto de Cristina Balieiro
      Esse artigo foi publicado anteriormente no site http://www2.uol.com.br/vyaestelar – na categoria A MULHER E O MITO, na qual escrevo quinzenalmente.

      5 comentários

      1. Ana Carla disse:

        Lindo! Obrigada por partilhar conosco!

      2. Fico feliz que tenha gostado, Ana Carla!
        Cris

      3. Agora entendi melhor e até vi ao ler seu artigo, onde guardo meu espaço Héstia…bom lembrar!Obrigada, lindo trabalho.Salve a deusa!
        bjos,
        Revi.

      4. Quando meu respirar acontece de forma solta e presente significa que encontrei o caminho,que leva o equilíbrio.Ou seja, o centro do eu, da minha essência, que é luz, paz, amor, coragem, liberdade e alegria.Motivo pelo qual, faz eu mover à favor do que é para ser vivido. Aumentando a minha consciência diante sobre o por que vim aqui. Ou seja, quietar no fogo sagrado em nos, é certeza de aceitar ser a mudança que mundo espera de nos.

        Bom saber, que fogo sagrado, pode ser uma deusa

      5. Viva Héstia, a do centro da nossa mãe Terra, a do nosso lar e a que mora no coracão ou nas entranhas, talvez, de cada mulher!
        Cris

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