O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: O CLUBE DO BISCOITO

O CLUBE DO BISCOITO foi escrito pela americana Ann Pearlman e editado pela Bertrand Brasil em 2011. Na edição brasileira colocaram na capa ( que é bem simpática) uma frase piegas e, a meu ver idiota – “Onde o ingrediente mais importante é o amor” – talvez para ajudar a vender o livro e que, pelo contrário, pode nos afastar dele, o que quase aconteceu comigo. 
Então não liguem para essa bobagem, provavelmente idéia de um (ou uma) marketeiro que não ama os livros e podem comprá-lo. 

Na verdade é um bonito livro sobre a amizade entre as mulheres e sobre como uma irmandade feminina pode tecer uma rede de apoio, amorosidade e proteção. E também sobre muitas de nossas dores e conquistas, sobre o passar do tempo; enfim, sobre a vida. 

Ele conta a história ficcional de 12 amigas que se reunem anualmente na primeira segunda-feira de dezembro para se presentearem com biscoitos feitos por elas mesmas, trocarem as receitas, falarem sobre si e o ano que passou e comerem e tomarem vinho juntas. São mulheres entre os 30 e poucos anos aos 60, amigas de longa data e mais recentes, casadas, viúvas, divorciadas, com filhos, com netos ou sem filhos. 
O livro todo se passa na noite desse encontro, mas existem muitos flasbacks contando as histórias das protagonistas. São 12 capítulos e cada um deles começa com o nome da mulher e a receita do biscoito que ela fez. Cada uma vai contar porque escolheu aquele biscoito e como foi seu ano e como está sua vida. 
Mas os capítulos não são estanques, as histórias se misturam e se entrelaçam. Todas trazem temas vividos por mulheres: amores, filhos, divórcios, traições, dificuldades financeiras, perda de filho, nascimento de netos, doenças, superações, novos caminhos… 
Além disso, ao final de cada capítulo existe uma pequena história da origem e importância na história da alimentação humana de cada ingrediente que vão nos biscoitos, como açucar, manteiga, chocolate, nozes, etc. 

É fácil de ler, cheio de diálogos e histórias, bem feminino e mostrando essa festa, com seus momentos de alegria, celebração, divertimento mas, também de tristeza, tensão, nostalgia. 
É muito comovente ver o afeto, o carinho, a solidariedade, o amor que existe entre essas personagens e lembrar das mulheres reais que fazem parte de nossas vidas de forma tão essêncial. A frase da capa se torna ainda mais boba, por não conseguir nem chegar perto desse sentimento tão profundo que pode existir entre mulheres irmãs de alma!

Esse livro tem para mim o sabor de um café da tarde num dia meio frio, mas de sol, numa casa do interior, com mulheres amigas ao redor de uma mesa, conversando sobre tudo e sobre nada, sem pressa alguma e comendo fatias de bolo de fubá quente com camadas generosas de manteiga de latinha.

 

 

Texto de Cristina Balieiro

4 comentários

  1. Olá Cristina,

    Tenho acompanhado suas sugestões de leitura e gosto muito.
    alguns já tinha lido, mas este não conhecia. Parece bem interessante.
    Vou ler e depois te conto.
    Bjs

  2. Ótimo, Cristiane. Parece que temos um gosto pela leitura meio parecido. Esse é um livro "mais fácil", mas nem por isso menos bacana. Depois me diga o que achou.
    Bj
    Cris

  3. Acabo de adquirir o livro seguindo a tua sugestão, Cristina. Tenho certeza que será uma aventura deliciosa. Abraço!

  4. Depois me conte o que vc achou, Rosana, okK
    Bj
    Cris

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