O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: MULHERZINHAS e ANNE SHIRLEY

Eu e a Bia começamos esse blog há 3 anos atrás, em junho de 2010, para poder divulgar nosso livro, mas ele foi crescendo e se tornou mais um “filho querido”: um canal de comunicação onde a gente expressa aquilo que acredita e gosta. 
Postamos 4 vezes por semana e na grande maioria com conteúdos que nós mesmas escrevemos, então como tudo aquilo que a gente faz com carinho e cuidado, dá trabalho! 

Como queremos que ele seja meio como uma revista, buscamos sempre criar categorias novas e também assuntos para escrever em  série, como por exemplo As práticas da Percepção, que a Bia criou usando a tapeçaria A Dama e o Unicórnio, ou a série sobre Astrologia que eu escrevi. No final do ano passado, conversando sobre isso, falei para a Bia que ia começar a escrever sobre livros e a questão das mulheres e do princípio feminino, já que muita gente já tinha nos pedido referências sobre isso. 

Comecei despretenciosamente, mas como tudo que tem a ver com a alma da gente, fui “abduzida”por esse trabalho. Para escrever os posts tive que reler os livros que indicava e um por semana, já que me propus a escrever sobre um livro a cada quinta-feira. Sem a princípio ter essa intenção, fazer isso foi me mostrando o caminho que percorri para me formar como mulher quando penso em livros. Virou uma jornada para mim, cheia de surpresas e aventuras e por isso há algum tempo atrás decidi que vou fazer isso por um ano, 52 semanas, 52 livros (ou um pouquinho mais, porque as vezes indico mais de um no mesmo post)! Comecei no dia 3 de janeiro e pretendo terminar no dia 26 de dezembro. Porque um ano, porque tantos livros? Por nenhum outro motivo além do prazer do desafio! Adoro fazer as coisas sem nenhuma finalidade prática, só pelo desejo de fazê-las!

Esse é o post 26, seis meses depois, então tinha que ser especial para mim, uma comemoração! Resolvi, então escrever sobre os dois livros com os quais comecei a me perceber mulher – MULHERZINHAS e ANNE SHIRLEY e minhas duas primeiras heroínas: Jo March e Anne Shirley.  Jo March é uma das protagonistas do livro MULHERZINHAS e Anne Shirley do livro com o mesmo nome. Os dois livros foram escritos por mulheres e para os jovens. Louisa May Alcott, americana, escreveu MULHERZINHAS em 1868 e Lucy Maud Montgomery, canadense, escreveu ANNE SHIRLEY em 1908. 

Devo ter lido esses livros pela primeira vez aos 12-13 anos. Antes, aos 8-9 anos, já havia me encantado e identificada com a Narizinho, do Sítio do Pica-pau amarelo, mas ainda sem a clareza do fato de eu e ela sermos meninas. Com Jo e Anne Shirley eu já me percebia igual a elas, uma mulher e, como elas, já querendo um papel muito mais amplo que o de uma heroína romântica em busca do príncipe encantado. Jo March e sua tremenda coragem de negar-se a um casamento rico e com seu melhor amigo porque não a amava como homem, sua ida sozinha a Nova Iorque para tentar ser escritora, a confiança em si e sua integridade; Anne Shirley e sua imaginação prodigiosa, sua inteligência e sensibilidade, habitaram meu mundo de mocinha, foram minhas amigas e incentivadoras da minha busca de mim mesma.

Eu tenho dois exemplares de cada um dos livros, sendo que os primeiros herdei da minha mãe, da sua “Biblioteca Coleção da Moças”, que foi foi uma coleção de romances publicada pela Companhia Editora Nacional, no Brasil, entre 1920 e 1960, especializada em literatura para jovens mulheres. Minha edição de MULHERZINHAS nem tem data de publicação, deve ser do começo dos anos 50 e ANNE SHIRLEY é de 1956. Acabei comprando dois livros novos porque vocês podem imaginar o estado dos  livros  pela sua  idade, mas também  porque devo tê-los lido umas “novecentas” vezes no correr da vida. 
De MULHERZINHAS tenho outra lindíssima edição ilustrada, publicada pela Cia Melhoramentos em 1998, de uma edição original da Gallimard. 
De ANNE SHIRLEY, tenho uma edição de 2009, da Martins Fontes Editora, com um novo título ANNE DE GREEN GABLES, comemorando os 100 anos do livro. É uma edição bem cuidada, mas infelizmente cometem o erro de dizer que é a primeira vez que o livro é publicado no Brasil. 

Apesar de terem sido livros de cabeceira na minha adolescência e de terem ajudado a formar minha identidade feminina,  muito provavelmente  sejam sentidos como pouco interessantes pelas meninas de hoje. Ou, talvez não: conheço adolescentes de hoje encantadas com Jane Austen. Mas enfim, para muitas mulheres da minha geração, essas duas heroínas da ficção foram modelos possíveis e libertários de ser mulher
Mesmo com 60 anos eu ainda amo como minhas “amigas do peito” Jo March e Anne Shirley. 

PS: Esse post é dedicado a minha mãe, Gilda, já falecida, que me ensinou duas das coisas mais importantes da minha vida – ter orgulho de ser mulher e amar os livros! 

 

 

Texto de Cristina Balieiro

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