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O Feminino e os Livros: AGORA E SEMPRE

Como já disse muitas vezes eu adoro biografias, autobiografias, livros de memória. Mas, confesso nunca me interessei por histórias de artistas de cinema, salvo o caso de Liv Hullman e Odete Lara. Liv Hulmman porque sempre me pareceu uma mulher fascinante e Odete Lara pelo caminho espiritual que ela seguiu (ainda vou indicar um dos livros dela aqui nessa seção do Feminino e os Livros). Talvez seja um enorme preconceito meu, mas penso que artistas de cinema e suas vidas são meio bobas, meio vazias, muito brilho e pouca profundidade. Como já disse deve ser puro preconceito. 

Há um tempo atrás, no entanto, li em um artigo de jornal que não me lembro qual, uma crítica bem positiva do livro de memórias de Diane Keaton. Como sempre achei ela uma atriz bem interessante e com algumas escolhas pessoais que me agradam, como por exemplo assumir sua idade e não usar botox ou fazer plástica, resolvi ir atrás do livro. 

AGORA E SEMPRE – memórias, de Diane Keaton, foi lançado pela editora Objetiva em 2012. Ela escreveu seu livro juntando trechos dos inúmeros diários que sua mãe escreveu durante toda vida, até ser “vencida”pelo Alzhheimer, cartas que recebeu da própria mãe, do pai, de namorados, com observações, reflexões e histórias que viveu desde a infância até o momento que termina de escrever o livro, em 2010, já com 63 anos. 

Ela conta com uma honestidade admirável e com muita sensibilidade fatos muitas vezes dolorosos, como seu problema com a bulimia, as experiências felizes e difíceis da infância, suas vivências e dificuldades amorosas com seus três amores – Woody Allen, Warren Beatty e Al Pacino, a sua carreira no cimema com seus sucessos e fracassos, sua decisão de adotar duas crianças após os 50 anos e sua experiência como mãe, sua difícil, amorosa e triste convivência com a decadência da lucidez da mãe em função do Alzhheimer, sua insegurança e busca constante da própria identidade como mulher e artista. 

Achei MUITO interessante ela dar um peso igual para todos os fatos e não ficar focada especialmente em sua vida amorosa ( e vejam com quem…) ou na sua vida no cinema (e ela ganhou um Oscar). Ela se mostra uma mulher muito mais rica e ampla que isso.

Permeando todo seu relato temos a história, os pensamentos e sentimentos da mãe, Dorothy Keaton Hall,dona de casa e mãe de 4 filhos, contados por ela mesma através de seus diários. Essa mistura de textos extraídos dos diários da mãe com os da própria atriz, traz uma comovente justaposição de visões de vida. E de mundos, de tempos. Fica também muito explicito a enorme ligação amorosa entre as duas mulheres. Na verdade, o livro é todo muito carregado de afeto. 

Ele traz também algumas fotografias dela, da mãe, da família, dos amados, dos filhos e dos diários da mãe muito bonitas! 

Nessa ridícula cultura de celebridades que estamos vivendo um livro como esse de Diane Keaton é um bálsamo, pois muito mais que uma estrela, mostra uma mulher complexa, sensível, inteligente, cheia de ambiguidades e contradições como todo mundo que tem profundidade psicológica e busca cultivar sua alma.

Texto de Cristina Balieiro

1 comentário

  1. Anônimo disse:

    Tbem gostei demais desse livro da Diane Keaton. Transparece uma mulher quase normal,cheia de probleminhas, nao fosse a sua vida de atriz, seus namorados famosos, etc…
    Lindo ter dado o brilho p a vida de sua mae.

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