O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: A SABEDORIA DAS MULHERES

A SABEDORIA DAS MULHERES, foi compilado e editado pela jornalista americana Beth Benatovich e lançado no Brasil pela editora Objetiva, no selo Mulher, em 1997. 
Ela entrevistou, no começo da década de 1990, 25 mulheres conhecidas e com mais de 50 anos, usando como roteiro as seguintes perguntas: “O que é ser uma mulher mais velha nos dias de hoje?” ; “Quais foram suas perdas e seus ganhos?” e “Você pode me contar e dividir com outras mulheres a essência da sua experiência?”. 

Com as entrevistas feitas, Beth Benatovich constrói 25 capítulos, um para cada entrevistada. Para cada um deles, que começa com uma pequena biografia da mulher, sua foto e a idade que estava quando da entrevista, seguido pela resposta da mulher às suas questões,  ou melhor,  pela história construída a partir delas, a autora dá um nome. 
São eles e elas: 

DESBRAVADORA, Erica Jong , escritora, 52 anos / A ROSA, Eartha Kitt, dançarina, atriz e cantora, 67 anos / A MANHÃ É MAIS SÁBIA, Bel Kaufman, escritora, 84 anos / A VOLTA À ALEGRIA, Janine Pommy Vega, poeta, professora e artista performática, 53 anos / TODO MUNDO É ATLETA, Billie Jean King, tenista, 51 anos / AS COISAS EM SI, Lucille Clifton, escritora, 59 anos/ UM INTERESSE NO MUNDO, Grace Paley, poeta e ambientalista, 71 anos/ A JAULA DA VERGONHA, Janice Mirikitani, editora e militante comunitária, 54 anos / CONSOLO, Elisabeth Watson, teóloga, feminista, ambientalista, 82 anos / SUBVERSÃO, Irmã Monica Weis, freira e professora universitária, 53 anos / ALGUMA COISA EM QUE SE AGARRAR, Marva Collins, educadora, 59 anos/APENAS OS SEUS ARREPENDIMENTOS, Anna Kainen, operária e escritora, 82 anos/ MAGIA, Laurie Cabot, sacerdotisa druída, 63 anos/ A SABEDORIA DO CORPO, Marion Woodman, analista junguina, 65 anos / FORJADA A FOGO, Ai Ja Lee, acupunturista e herborista, 55 anos / AQUELA CUJA VOZ CAVALGA NO VENTO, Avó Twylah Nitsch, chefe espiritual do Clã do Lobo, da tribo Sêneca, 83 anos / SIMPLES ATO DE BONDADE, Matilda Raffa Cuomo, ativista social, 63 anos / O BOM GENERAL, Sally Jessy Raphael, apresentadora de televisão, 52 anos / RENUNCIANDO A SER DEUS, Gretchen Woods, ministra religiosa, 50 anos / PRONTIDÃO, Sandy Warshaw, militante feminista, 63 anos / PEQUENINAS MORTES, RENASCIMENTOS, Zoë Caldwell, atriz e professora de arte dramática, 62 anos / MEUS OLHOS NÚS, Grace Slick, cantora, 54 anos / DESISTA, Joan Ganz Cooney, criadora de programas infantis para televisão, 65 anos/ PARA ONDE ELE VAI?, Judith Crist, jornalista e crítica de cinema, 73 anos / PEGADAS, Mary Taylor Previte, ativista social, 63 anos. 

Quando estávamos começando a escrever nosso livro O FEMININO E O SAGRADO, eu e a Bia lemos esse livro, assim como o da Regina Lemos, QUARENTA: A IDADE DA LOBA, tanto que eles constam na nossa bibliografia. 
Mas, tanto num como no outro, nós sentimos falta de um fio condutor que unisse as histórias e formasse um quadro mais coeso. 
Isso não acontece no livro que nos inspirou, O JARDIM SAGRADO, que já indiquei num post dessa séria sobre o Feminino e os Livros. Nele as autoras usam a metáfora de um jardim para explicarem a espiritualidade das mulheres e unirem suas histórias. E nós também buscamos um elo de ligação, um fio condutor e “tecedor” e como focamos  nas histórias de vida, usamos o modelo mítico da jornada do herói. 
Parece-me que a falta desse “pano de fundo comum” faz com que esse livro perca um pouco da sua força, porque as histórias ficam meio soltas, sem a ligação de uma com a outra. 

Uma outra questão é que a autora não conclui nada e também se coloca pouco, apenas contando de forma muito sucinta, no prefácio,  qual foi sua experiência ao fazer o livro, o que é uma pena, porque deve ter sido algo de muito rico.

Mas, mesmo com essas ressalvas, o livro vale muito a pena! Existem histórias muito bacanas e encontramos pérolas como as citadas abaixo. 

A juventude é um quadrado: tem quinas pontiagudas, é atraída para os extremos, vai numa direção visando a uma meta, depois vira a esquina e toma outra direção. Na juventude, cultivamos a mente. A mente é maravilhosa, mas não é tudo. A velhice é um círculo: inclui tudo, contém coração e espírito, suas quinas são suavizadas pela experiência, como ondas na praia. 
Ai Ja Lee 

Minha alma foi uma flor em botão durante 50 anos, até a luz brilhar calidamente e ela desabrochar. 
Marion Woodman 

As cicatrizes que trago são cicatrizes da aprendizagem: um lembrete para que eu nunca me esqueça da lição contida no processo de adquirí-las. 
Irmã Monica Weis

A opção pela vida torna a pessoa ingovernável.
Gretchen Woods

Texto de Cristina Balieiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *