O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Natal, as lembranças e as avós

Texto de BEL BALIEIRO

Nessa época do ano onde normalmente nos aproximamos mais de nossos familiares para as comemorações da festa do Natal e do fim de ano, quis publicar esse lindo texto da minha querida prima, Gilda Isabel, a Bel Balieiro, que virou avó esse ano, sobre a avó que compartilhamos! E vejam que senhora simpática e com cara de Vó as antigas ela era…

D. ISABEL BALIEIRO

Nunca fui muito fã de comemorar datas com apelos comerciais, daquelas que simplesmente servem para vender. Mas o Dia da Vovó é uma comemoração que eu sempre achei muito legal porque é uma homenagem para a avó de Jesus, Santa Ana. 
Minha querida e doce vó Bebé que me contou essa história quando eu ainda era pequena e, desde essa época eu sempre imaginei como seria se o menino Jesus pequenininho, adolescente e depois virando adulto, tivesse convivido com a vó dele. Ele não viveu isso porque Santa Ana morreu quando sua filha, Nossa Mãe Maria tinha apenas 3 anos. 

Como a vó Bebé morou em nossa casa muito tempo, eu pedia pra ela repetir e repetir e repetir essa história e todas as vezes ela dava uma risadinha – como essa da foto – e contava de novo. Então, eu ouvia de novo e todas as vezes quando ela terminava de contar, eu falava pra ela: vó, ainda bem que você não morreu, né? Eu dava um abraço nela e ela dava uma gargalhada muito gostosa. Que delícia de lembrança! 


Agora há pouco, por uma daquelas coincidências que meu tio Nelinho chama de “pseudônimo de Deus”, estava arrumando umas pastas de arquivos no meu computador, vi essa foto dela e me lembrei disto. E de outras coisas. 


Me lembrei que ela foi uma mulher tão especial, que mesmo tendo ficado viúva com 30 e poucos anos e 10 filhos para criar – o mais velho tinha 17 anos e o mais novo apenas 1 – nunca viveu com amargura. Ao contrário, estava sempre de bom humor, era doce e meiga com suas noras e seus 36 netos: Tita, Zão e Oca, Diva Helena, Gil, Mauricio e Márcio, Ligu, Renato, Fernando, Beto e Cecília, Lulude, Beto, Regina, Livinha e Guto, Ari Pedro, Bel e Biel, Zé Ricardo e Sérgio, Renata, Fernanda, Silvia e Ruy Gabriel, Huguinho, Luis Fernando, Bia, Viviane, Patricia e Marcelo, Luciana, Rosana, Lee e Humberto. 


Me lembrei dela tocando piano com suas mãozinhas tão pequenas – que eu herdei – que não alcançavam uma oitava e que por isto ela tocava as duas notas iguais, que deveriam ser tocadas juntas, mexendo com as mãos da esquerda para a direita delicadamente em um vai-e-vem doce e melodioso. 


Me lembrei de como dávamos muitas risadas nas noites em que jogávamos baralho com meus avós Gilda e Cortez e ele, espanhol da gema, ficava irritado e soltava um palavrão quando ela e a vó Gilda – que tinham uma sorte impressionante e sempre eram parceiras no jogo de buraco – compravam, rodada após rodada, coringas ou cartas que se encaixavam perfeitamente no jogo delas. 

Me lembrei do seu cheirinho de banho que exalava a qualquer hora – isso mesmo, a qualquer hora – que chegávamos perto dela. 

Me lembrei que, já adolescente, eu chegava da escola e corria pra contar pra ela que tinha visto meu paquera. Então ela me pedia pra sentar ao seu lado e contar tudo. E eu ficava tão feliz com o interesse dela que me empolgava e floreava os fatos e ia deixando a imaginação rolar a cada sorriso de aprovação que ela dava ou a cada “nossa” que ela falava. Isso quando eu dava chance porque maritaca perdia pra mim do tanto que eu falava nessa hora. 

Ah! como a vó Bebé sabia ouvir. Ela ouvia com os ouvidos, com a boca e com os olhos. Acho que eu nunca mais conheci alguém que soubesse ouvir assim. 

Me lembrei das tardes deliciosas em que nós três – a vó Gilda, a vó Isabel e eu, a neta Gilda Isabel, ficávamos sentadas juntas na sala conversando sem parar – claro que eu sempre falando muito mais que as duas juntas – e elas me ensinando a fazer crochê ou cerzir uma meia. 

De repente, a vó Bebé, sempre com um tercinho na mão, perguntava docemente: agora vamos rezar? E foi assim que ela me ensinou a rezar o Salve Rainha, sua oração preferida. E me ensinou que quando perdemos alguma coisa, é sempre a mãe que acha. A Nossa Mãe. Então ela dizia: reze o Salve Rainha e pare em “mostrai-nos”. Espere um pouquinho que você vai encontrar. Depois você completa a oração. E RÁ! Eu sempre encontrava o que tinha perdido. 

Hoje é o meu primeiro Dia da Vovó da Júlia, uma menina iluminada que transformou minha vida para sempre, como para sempre minha vó Bebé vai viver nas minhas lembranças, doces como seu cabelinho branco de nuvem de algodão. Sou feliz porque tive o privilégio de conviver com ela bem de pertinho. 

Um beijo, vó! Te amo

2 comentários

  1. Anônimo disse:

    Também sinto saudades eternas das minhas avós Maria Eugenia (D. Nenê), e Iracema (Cecema)…Sou avó de tres criaturinhas simplesmente maravilhosas, que me impeliram a comemorar o Natal deste ano, eu que estava afastada de tudo isso, em funcao da perda da minha Louise Maria. Assim segue a vida, com perdas, ganhos, tudo embalado pelo Feminino e o Sagrado, nós mulheres que nao nos vergamos {quase} nunca…Abraços de Saúde e Paz para voces blogueiras especiais!!!!! Vera Márcia

  2. Obrigada, Vera Marcia. e que venha 2014 com muito Feminino Sagrado e com muitas mulheres fortes, brigonas e doces, com a missão de transformar esse planeta num lugar melhor para se viver! Abracao Cris

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