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MULHERES MARCANTES: Chiquinha Gonzaga (1847/1935)

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga foi uma compositora, pianista e regente brasileira. 
Era filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa Maria de Lima, que era mulata. 
Ganhou um piano de seu pai aos 9 anos e compôs a sua primeira música aos 11 anos. 

Aos 16 anos, ela foi forçada pelos pais a se casar com um oficial da Marinha Mercante, Jacinto Ribeiro do Amaral, com quem teve três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário. Chiquinha, de gênio forte e decidida, continua sua dedicação ao piano, compondo valsas e polcas, para desagrado do marido. Separa-se dele, depois de seis anos de casamento. 

Com o fim do casamento, Chiquinha entrou em contato com o meio boêmio carioca. Mas uma mulher separada no século XIX era uma aberração na sociedade, e Chiquinha pagou um preço alto. Foi expulsa de casa por seu pai e só pode levar consigo o filho mais velho, João. 
Logo depois vai viver com o Engenheiro João Batista de Carvalho Júnior. Levando seu filho João Gualberto, o casal vai morar em Minas Gerais, onde Chiquinha tem mais uma filha, Alice. Mas, tempos depois separa-se dele por ser traída, volta ao Rio e passa a dedicar-se somente à música. 

Sobrevive dando aulas de piano e apresentando-se em festas. Em 1877, estreou como compositora com a polca “Atraente”, que foi publicada pela editora de Joaquim Antonio Calado, amigo que a ajudou a ingressar no universo musical. Com ele formou uma dupla que foi precursora do choro ou chorinho. Como maestrina, a estréia aconteceu com a opereta “A Corte na Roça”, em 1885.

Foi a primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca com letra (“Ô Abre Alas”, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. 

Chiquinha também participou ativamente da campanha abolicionista e da proclamação da república do Brasil. Lutou também pelos direitos autorais, depois de encontrar em Berlim, várias partituras suas, reproduzidas sem autorização. Foi fundadora, sócia e patrona da SBAT – Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. 

Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.

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