O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

GRAVIDADE : o novo mito

Texto de MARGARETH FIORINI

Recebemos esse artigo da amiga Margareth Fiorini. É uma leitura mítica, tem Campbell, Jung, novos tempos,a mulher, jornada do herói, tudo a ver com o blog! Obrigada Margareth pelo texto!

Este filme é um marco na história do Cinema. No domingo, 02 de março de 2014, recebeu 7 Oscars (teriam sido 9, com o de melhor filme e melhor atriz, com todo mérito). 
O filme tem a duração de 1:40h de pura ação, emoção e suspense. Uma novidade: aventura sideral sem as guerras de sempre. Na tela, apenas dois atores: George Clooney e Sandra Bullock (e ele por pouco tempo). 
Entrei no cinema lamentando que Angelina Jolie tivesse recusado o papel. Saí certa de que Sandra Bullock mereceria ganhar o Oscar de melhor atriz em 2014. 

A mensagem é simples e, por isso, sábia: uma pane na comunicação da NASA com a Estação Espacial Internacional, causada pela explosão de um míssil e a consequente aventura da astronauta Ryan Stone (Sandra)para regressar à Mãe Terra. O cenário é estonteante, de extrema beleza. Os efeitos especiais, a produção em 3D tornaram o filme real. 

Mas o que está por trás dos símbolos? 
1. Por que Kowalsky (Clooney) se sacrifica logo no início para que Ryan(Bullock) sobreviva? “Ladies first”? O homem cedendo o espaço (literalmente aqui) para a mulher? Como dizia Campbell “O homem serve a Vida. A mulher é a Vida”. 
2. Por que na hora em que Ryan desiste, Kowalsky surge na nave de forma “sobrenatural” para encorajar a nova Psiquê a retomar sua “odisseia”? É a energia yang sendo potencializada? É o processo de Individuação de Jung? 
3. Por que o personagem de Clooney se chama Kowalsky ( polonês) se era norte americano? Universalidade? 
4. Por que os personagens (como os atores) fazem questão de dizer que “tem olhos e cabelos castanhos” (como 90% da população terrestre)? Empatia? 
5. Por que a personagem feminina tem nome masculino Ryan e é astronauta ? 
6. Por que as naves americana e russa foram destruídas e só a chinesa sobreviveu?

MITOLOGIA 
No filme anterior (Solaris), Clooney viveu Chris (nome do deus judaico-cristão) que não podia viver com Réia(nome da deusa grega) na 3ª. dimensão. No patriarcado, a deusa Réia (da fertilidade) não quer ser mãe, aborta e se suicida. Chris e Réia só podiam se encontrar em “Solaris”. 
Em “Gravidade”, a personagem de Sandra Bullock também havia perdido uma filha na Terra. Confessou que tinha nome masculino porque o pai queria que ela tivesse nascido homem. Ela tem aparência andrógina por causa disso (cabelos curtos) e profissão de astronauta. Ryan reúne as energias yin e yang. Quando resolve desistir da jornada, como Psiquê, surge Kowalsky que a desperta e a encoraja a realizar seu objetivo. Angelina Jolie seria bela demais para o papel. Sandra coube nele sob medida, pois não corresponde ao padrão de beleza Barbie. É um tipo mais agressivo, apesar da doçura da personagem. 

Depois de todas as dificuldades, Ryan consegue voltar à origem (Terra), como todos os heróis da antiga Mitologia. Eis a jornada do herói (ou heroína, se preferirem). Só então a plateia respira aliviada e descobre que JÁ tem o que a heroína buscou o tempo todo: os pés na Terra. E que VIVER é o grande objetivo AO ALCANCE DE TODOS! 

O que há de novo nessa velha Odisséia? Aqui, o mar (Inconsciente) é o espaço sideral, só que Odisseu (Ulysses) é uma mulher. Novos mitos. Novos símbolos. No espaço, as estações americana e russa foram destruídas, mas a chinesa sobreviveu. Isso é por si só muito significativo quanto ao atual momento econômico do planeta. O estranho é que a tripulação chinesa não sobreviveu. Talvez um reflexo inconsciente da psique norte americana. 
Bem, não sei você, mas eu vou começar a aprender mandarim…

e-mail: megfiori@yahoo.com.br

1 comentário

  1. Ana Nazaré disse:

    Que interessante, vou procurar para assistir, obrigada por compartilhar

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