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MULHERES MARCANTES: Nísia Floresta (1810 /1885)

Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira. 
É considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava.

Filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com uma brasileira, Antônia Clara Freire, foi batizada como Dionísia Gonçalves Pinto, mas ficou conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Floresta, o nome da fazenda onde nasceu. Brasileira é o símbolo de seu ufanismo, uma necessidade de afirmativa para quem viveu quase três décadas na Europa. Augusta é uma recordação de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, com quem se casou em 1828, pai de sua filha Lívia Augusta. 

Em 1828, o pai de Nísia havia sido assassinado no Recife, para onde a família havia se mudado. Em 1831 publica em um jornal pernambucano (Espelho das brasileiras) uma série de artigos sobre a condição feminina. 
Do Recife, já viúva, com a pequena Lívia e sua mãe, Nísia vai para o Rio Grande do Sul onde se instala e dirige um colégio para meninas. O início da Guerra dos Farrapos interrompe seus planos e Nísia resolve fixar-se no Rio de Janeiro, onde funda e dirige o colégio Augusto, conhecido pelo alto nível de ensino. 
Em 1849, por recomendação médica leva sua filha que havia se acidentado gravemente, para a Europa. Ali permaneceu por um longo tempo, morando a maior parte do período em Paris.

Escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos. Direitos das mulheres e injustiça dos homens, primeiro livro escrito por ela, e o primeiro no Brasil a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho, foi inspirado no livro da feminista inglesa Mary Wollstonecraft: Vindications of the Rights of Woman. 
Em outros livros ela continuará destacando a importância da educação feminina para a mulher e a sociedade. São eles: Conselhos a minha filha, de 1842; Opúsculo humanitário, de 1853; A Mulher, de 1859. 

Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre sua vida nesse período. 
Retorna para a Europa em 1875 e em 1878 publica seu último trabalho Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques. 

A escritora morreu em 24 de abril de 1885, aos 75 anos, na França, depois de sofrer de pneumonia, tendo seus restos mortais transferidos em 1954 para o Rio Grande do Norte, na antiga cidade natal, Papari, atual cidade Nísia Floresta.

TÚMULO DE NÍSIA EM SUA CIDADE NATAL

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