O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Jardim Zen para perfeccionistas

Quando vi o tapete de flores que as arvores estão deixando pelas ruas de São Paulo, lembrei-me deste conto Zen. Já ouvi gente falar que tem que derrubar árvores (e às vezes fazem mesmo isso) porque “sujam” as calçadas de folhas e flores. Será que o ideal delas é um mundo “perfeito”, “limpo”, asséptico como um corredor de hospital? 

Defeitinhos, imperfeições e sujeirinhas talvez tragam colorido para a vida como o colorido que esta arvore trouxe à calçada que fotografei.
Este e outros contos estão no site Sunya.
  
 
Jardim Zen – A Beleza Natural
 Um monge jovem era o responsável pelo jardim de um famoso templo Zen. Ele tinha conseguido o trabalho porque amava as flores, arbustos e árvores. Próximo ao templo havia um outro templo menor onde vivia apenas um velho mestre Zen. Um dia, quando o monge estava esperando a visita de importantes convidados, ele deu uma atenção extra ao cuidado do jardim. Ele tirou as ervas daninhas, podou os arbustos, cardou o musgo, e gastou muito tempo meticulosamente passando o ancinho e cuidadosamente tirando as folhas secas de outono.

Enquanto ele trabalhava, o velho mestre observava com interesse de cima do muro que separava os templos. Quando terminou, o monge afastou-se um pouco para admirar seu trabalho. 

“Não está lindo?” ele perguntou, feliz, para o velho monge.
“Sim,” replicou o ancião, “mas está faltando algo crucial. Me ajude a pular este muro e eu irei acertar as coisas para você.” 

Após certa hesitação, o monge levantou o velho por sobre o muro e pousou-o suavemente em seu lado. Vagarosamente, o mestre caminhou para a árvore mais próxima ao centro do jardim, segurou seu tronco e o sacudiu com força. Folhas desceram suavemente à brisa e caíram por sobre todo o jardim. 

“Pronto!” disse o velho monge,” agora você pode me levar de volta.”

 

post e fotos de Bia Del Picchia

 

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