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Filme Mil vezes boa noite: uma mulher entre a vocação e a família


Geralmente, considera-se herói os homens que deixam a mulher, a família e os próprios interesses, e arriscam a vida para o bem da coletividade. Nesse filme, é uma mulher que faz isso – o que muda tudo!
Rebecca é uma fotógrafa de guerra que vê sua profissão como o dever humanitário de mostrar ao mundo injustiças, atrocidades e situações de violência política. De uma coragem incrível, ela se mete nos lugares mais arriscados para conseguir fotos e publicá-las. Quantos filmes de homens corajosos assim nós já vimos?
Só que, nos filmes de heróis masculinos, geralmente as (boas) mocinhas compreendem que ele tem uma missão ou coisa parecida, e o apoiam. Mas nesse, a vida aventureira de Rebecca (ok, quase suicida) é questionada pela família quando, ferida, volta para casa. Seu marido, que fica em casa, cuida das crianças e tem um trabalho “normal”, lhe dá um ultimato: sua vocação ou a separação. Qual dos dois ela deve escolher? A filha fica dividida entre a admiração e a raiva pela mãe, que não consegue compreender muito bem. Como a própria Rebecca talvez não consiga…
Outra coisa interessante é que esse filme é meio autobiográfico, pois na realidade baseia-se na vida do próprio diretor Eric Pope, que antes de ser diretor foi fotógrafo de guerra. Além da inversão do sexo da protagonista, que traz essas questões de gênero, o filme apresenta outras que certamente o atormentam, como o limite entre ser testemunha ou agir ao ver um inocente ser destruído, a ética dos jornalistas e da mídia, e a fascinação pela dor e sofrimento que alimenta tantas reportagens.  
Juliete Binoche está ótima como sempre, e a fotografia, cenários e a direção são excelentes. Recomendo!
Post de Bia Del Picchia

2 comentários

  1. Ana Nazaré disse:

    Interessaaaaaaante! Vou assistir!

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