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MULHERES MARCANTES: Violeta Parra (1917-1967)

Violeta del Carmen Parra Sandoval foi uma compositora, cantora, escritora, pintora, escultora, bordadeira e ceramista chilena.

Nasceu em 1917, no município de San Fabián de Alico, Chile, filha de uma camponesa e um professor de música, vivendo sua infância no campo. Aos 17 anos deixa a Escola Normal para cantar com seus irmãos ritmos tradicionais andinos e mexicanos, em bares e circos, para ajudar a sustentar a família. 
Em 1938, casou-se pela primeira vez com Luis Cereceda e dessa união, teve dois filhos, Isabel e Ángel, que também viriam a se tornar compositores e intérpretes importantes.
O casamento começou a apresentar problemas; ela não se enquadrava no papel convencional de esposa – Violeta cantava em vários lugares e havia se juntado a um grupo teatral. Separou-se em em 1948, mas antes Cereceda, que militava no Partido Comunista a introduziu na atividade política. 
Em 1949 voltou a se casar e teve duas filhas dessa nova união.

Em 1952 começou a pesquisar as raízes folclóricas chilenas e compôs os primeiros temas musicais que a fariam famosa, fincados em valores da identidade nacional. Em 1954, quando já tinha o seu próprio programa de rádio, começou um rigoroso estudo das manifestações artísticas populares. 
Durante o ano de 1955 visitou a União Soviética, Londres e Paris, cidade onde acabou residindo por dois anos. 

Em 1957 voltou para o Chile e ajudou a fundar o Museu Nacional de Arte Folclórica, na Universidade de Concepcion. Diversificou também suas atividades artísticas trabalhando com cerâmica, pintura a óleo e arpilleras, um tipo de trabalho com tecido e bordados. Percorreu todo o país, recompilando e difundindo informações sobre o folclore.

Em 1961, mudou-se para a Argentina, onde fez grande sucesso com suas apresentações. 
Voltou a Paris e ali permaneceu por três anos, percorrendo várias cidades da Europa. Em 1964, conseguiu uma marca histórica ao tornar-se a primeira latino-americana a expor individualmente no Museu do Louvre. Também lá escreveu o livro Poesia popular de los Andes. 

Em 1965 voltou ao Chile, viajou para a Bolívia e, ao regressar a seu país, instalou uma grande tenda na comuna de La Reina, com o plano de convertê-la em um centro de referência para a cultura folclórica do Chile, juntamente com os filhos, Ángel e Isabel, e os folcloristas Patricio Manns, Rolando Alarcón e Víctor Jara, entre outros. No entanto, a iniciativa não obteve sucesso. 

Emocionalmente abatida pelo fracasso do empreendimento e pelo dramático final de um relacionamento amoroso, Violeta Parra suicidou-se em 5 de fevereiro de 1967, na tenda de La Reina.

Seus trabalhos foram a base para o desenvolvimento do movimento estético-musical-político chamado de Nova Canção Chilena, do qual fizeram parte também Victor Jara, Rolando Alarcón, e Patricio Manns, além dos grupos Inti-Ilimani e Quilapayún. 
Apesar de conhecida por suas músicas, seus quadros contém um estilo pessoal muito característico — parecido com o naif — que representa o mesmo mundo de suas canções. Escreveu o também o  livro Décimas – autobiografia em versos, um marco na literatura chilena. 

O ideal da integração latino-americana e a luta contra o imperialismo esteve presente em toda a sua obra. Suas canções mostravam as semelhanças dos processos históricos dos países da América Latina e, por conseguinte, as semelhanças dos seus processos de lutas populares, sempre exaltando o antiimperialismo e a vida, o trabalho e a luta dos camponeses.

No Brasil, suas músicas “Gracias a la vida” e “Volver a los diecisiete” fizeram enorme sucesso e foram cantadas e gravadas por muitos cantores, entre eles Elis Regina e Milton Nascimento.

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