O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Três visões de liberdade

Nesse dia da Independência do país, posto aqui três visões de liberdade, segundo três escritores: Clarice Lispector, o poeta português Armindo Rodrigues, Aldous Huxley. 

A primeira fala da Liberdade de não se prender, nem ao amor. O segundo da Liberdade de querer ir e ir mesmo. O terceiro da Liberdade, num sentido mais político, de não se deixar ser sugestionado pelos que fazem a moda, ou o marketing – político, religioso, o que seja – do momento.
Um Sopro de Vida’ –  Clarice Lispector
Estou sofrendo de amor feliz. Só aparentemente é que isso é contraditório. Quando se sente amor, tem-se uma funda ansiedade. É como se eu risse e chorasse ao mesmo tempo. Sem falar no medo que essa felicidade não dure. Preciso ser livre — não aguento a escravidão do amor grande, o amor não me prende tanto. Não posso me submeter à pressão do mais forte. 
Onde está minha corrente de energia? meu sentido de descoberta, embora esta assuma forma obscura? Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera — algo está sempre vindo de mim ou de fora de mim. 

“Liberdade” –  Armindo Rodrigues
Ser livre é querer ir e ter um rumo

e ir sem medo,

mesmo que sejam vãos os passos.

É pensar e logo

transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.



Regresso ao Admirável Mundo Novo” – Aldous Huxley
Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o fato brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água… 

É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? 

Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder? 



post de Bia Del Picchia

3 comentários

  1. Poesia e imagem, dupla poderosa…
    grata, beijão, Cristiane!

  2. Ana Nazaré disse:

    Adorei !!! "Sofrendo de amor feliz" da Clarisse foi muito bom ……

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