O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Lições da Deusa Kali

Kali não é bonita, não é suave, não é doce, não é politicamente correta, não se enquadra em nenhum modelo do Feminino visto como ideal: Kali é Kali! 

Então, em primeiro lugar, ela vem nos confrontar com relação à importância que damos à imagem que queremos projetar no mundo versus a fidelidade que devemos a nós mesmas. 

Essa questão da imagem é um problema tanto para os homens quanto para as mulheres, especialmente nesses tempos em que aparecer, às vezes, é mais importante do que ter e muito mais do que ser. Para as mulheres, o problema é ainda maior. Durante milênios fomos doutrinadas a nos adequar à imagem da mulher perfeita, boa, feminina, linda, desejável. E muito da nossa autoimagem e da nossa autoestima ainda vem da adequação ou não a esses modelos. 
No entanto, se nos apegarmos à imagem que queremos que os outros tenham de nós, não podemos realmente ser nós mesmas. 

Quantas vezes, temendo o que vão pensar de nós, nos diminuímos ou negamos facetas nossas porque elas não se adequam a nossa imagem projetada? Ou ficamos apegadas àquilo que é pobre, pequeno ou idealizado demais, que nos limita, que não dá conta de quem somos, para não mancharmos o que os outros acham de nós? Temos quase terror de que os “famosos” outros não nos vejam mais como tão boazinhas ou adequadas ou fortes ou coerentes ou seja lá o que for. Tememos que nos vejam como mulheres reais, com nossos limites e alcances. 

Mas, se quisermos conhecer quem de fato somos e o que queremos para nossa vida, não podemos ficar presas a uma “personagem” que criamos para nós. Afinal, imagem é 2D, gente é 3D – essa metáfora das dimensões mostra que ser alguém é muito mais complexo, rico, amplo e contraditório do que ser uma imagem; e, se quisermos ser fiéis a nós mesmas, precisamos que Kali nos ajude a não ter medo de destruir essa imagem. É preciso ter coragem de desconstruir para nos vermos com mais clareza e amplitude, com tudo de luz e sombra que carregamos.

2 comentários

  1. Lindo, Cristina, Neste ano fiz um sadhana de 40 dias com a Deusa Kali, junto com um grupo de mulheres. As práticas foram difíceis e desafiadoras, mas a experiência foi profundamente transformadora.
    Eu divido minha vida em antes e depois de Kali…Seu amor me salvou.
    Bjs

  2. Cris, eu também amo essa deusa escura, irada e essencialmente amorosa (do jeito dela) que é Kali! Acho que a ira justa muitas vezes é o que nos salva!
    Bj

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