O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O que nos sustenta

Na semana passada coloquei um post dizendo que sob cada mulher há uma árvore, um “algo” oculto que a sustenta. Nesse, é uma rosa que é sustentada pela energia que vem da terra, do ar, do sol, e de algo invisível que a faz ser ela-mesma, desde a semente até chegar à plenitude de si, expandida em cor e aroma.
O lindo texto que me inspirou a fazer essa imagem, combinação de desenho e de foto que tirei num jardim magnífico, é de François Cheng e está no livro Cinco meditações sobre a beleza, editado pela Triom.
“A rosa é assim, como todos os seres vivos, como todos nós… Ser inteiramente uma rosa, eis razão suficiente para existir. Isso exige que a rosa ponha em movimento toda a energia vital que contém.

Desde o momento em que seu galhinho surge no solo, ela cresce num sentido, movida por uma vontade inquebrantável. Correndo nele existe uma linha de força que se cristaliza num broto. A partir deste, as folhas, depois as pétalas, vão se formar e se abrir, adotando uma curva, uma sinuosidade, escolhendo uma cor, um aroma. 

Agora, nada poderá impedi-la de acessar sua marca, seu desejo de materialização, alimentando-se da substancia vinda do solo, mas também do vento, do orvalho, dos raios de sol. Tudo isso visando a plentitude de seu ser, uma plenitude estabelecida desde seu germe, desde um começo distante, de toda a eternidade, poderíamos dizer.

Eis finalmente a rosa se manifestando em todo o esplendor de sua presença, propagando ondas rítmicas em direção àquilo que ela aspira, o puro espaço sem limites. Essa incontrolável abertura no espaço é igual a uma fonte que jorra ininterruptamente das entranhas da terra. Entre o solo e o ar, entre a terra e o céu, acontece um vai e vem simbolizado pela forma das pétalas, uma forma muito especifica, tanto recurvado para dentro como virada para fora num gesto de oferenda… 

Mesmo quando as pétalas caírem e se misturarem ao húmus nutritivo, seu perfume invisível continuará no ar, como uma emanação de sua essência ou sinal de sua transfiguração.

 A rosa é assim, floresce porque floresce, descuidada de si, sem querer ser vista
François Cheng

Post de Bia Del Picchia

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