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Heroínas do Brasil – Josephine Durocher

Maria Josephine Matilde Durocher (1809/1893) : parteira e dona da mais importante clínica obstétrica do Rio de Janeiro no Segundo Império

Josephine nasceu em 1809 em Paris, filha de uma costureira e florista. Com sete anos veio para o Brasil com a mãe, que abriu uma pequena loja de moda no Rio de Janeiro. Josephine quando cresceu ajudava a mãe na administração e confecção de roupas. 
Mas, com 23 anos perdeu a mãe e seu companheiro, com quem tinha dois filhos e a loja entrou em decadência. 
Valente, para sobreviver e criar os filhos, começou a prestar assistência às mulheres grávidas, ofício que aprendeu com uma amiga da mãe. 

Em 1833 foi estudar com o médico Joaquim Cândido Soares e em 1834 ingressou no curso de obstetrícia prática da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Naquele tempo as faculdades não permitiam o ensino para as mulheres em cursos superiores, por isso só pode fazer o curso de obstetrícia prática e não o de medicina. 
Naturalizou-se brasileira e iniciou uma bem-sucedida carreira de parteira. Divulgava seus serviços nos jornais e vestia-se sempre com saia longa, gravata borboleta, sobrecasaca e meia-cartola de seda pretas. Trabalhava nos vários bairros do Rio, atendendo de mulheres pobres ou escravas a nobres, sem distinção. 

Em 1866 foi nomeada Parteira da Casa Imperial, acompanhando os nascimentos da família do imperador do Brasil, D. Pedro II. 
Além de ser parteira fazia atendimentos clínicos na área ginecológica, cuidava da saúde de recém-nascidos e fazia perícias médico-legais. Embora a prática ginecológica fosse proibida a quem não fosse médico, ela justificava os seus atendimentos explicando que muitas mulheres preferiam morrer a serem examinadas por homens. 
Também prestou serviços durante as epidemias de Febre amarela (1850) e de Cólera (1855) que aconteceram no Rio de Janeiro. 

Madame Durocher, como a chamavam, era reconhecida no meio médico e foi nomeada, em 1871, pelo Imperador, membro titular da Academia Nacional de Medicina. Durante cinco décadas foi a única mulher admitida como membro nessa instituição. Foi a primeira mulher no Brasil a assinar textos científicos na área da Medicina. 
Clinicou durante 60 anos e teve a mais importante clínica obstétrica do Rio de Janeiro no século XIX.

Próxima quarta-feira, dia 27/04, ANITA GARIBALDI

3 comentários

  1. Que interessante! Não conhecia essa mulher.
    Que fibra, hein?
    Bjs

  2. Puxa …mulher de fibra!!! Não a conhecia! Muito bacana estes seus posts.Parabéns! abs

  3. Essas mulheres e suas histórias incríveis merecem ser trazidas ao conhecimento do maior número de pessoas: me sinto muito honrada e feliz de estar ajudando nisso. Grata ao incentivo, querida Cristiane e Tereza!
    Cris

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