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Heroínas do Brasil – Nísia Floresta

Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida como Nísia Floresta (1810/1885): educadora, escritora, tradutora e poeta

Nísia foi uma mulher MUITO à frente do seu tempo! 
Ela nasceu Dionísia, em 1810, no sítio Floresta, município de Papari, Rio Grande do Norte. Era filha de um advogado português, culto e liberal e de uma brasileira nascida numa importante e rica família da região. Em 1817 aconteceram as primeiras rebeliões contra a Corôa Portuguesa e o pai dela, sendo português começou a ser perseguido. Mudaram-se então para Goiana, litoral de Pernambuco, um avançado centro intelectual na época. Lá havia o Convento das Carmelitas, uma instituição de ensino renomada onde Nísia começou os primeiros estudos de línguas, trabalhos manuais e canto. 

Após 2 anos a família voltou a Papari e Nísia, com apenas 13 anos casou-se, contra sua vontade, com um rico proprietário de terras. Sentindo-se muito infeliz nesse casamento abandonou o marido meses depois, retornando à casa dos pais. Com o pai continuou seus estudos e tornou-se fluente no francês e italiano.

Diante de novas perseguições, a família mudou-se novamente, agora para Olinda, onde Nísia conheceu Manuel Augusto de Faria Rocha. Apaixonaram-se quase que de imediato. Em 1828 seu pai foi assassinado por um oponente numa causa jurídica. Nessa época, com 18 anos passou a viver com Manuel e logo tiveram a primeira filha. Foi uma atitude extremamente corajosa para a época; seu primeiro marido inclusive a perseguiu ameaçando-a com a acusação de adultério. 

Em 1830 começou a publicar no jornal “Espelho das Brasileiras”, artigos sobre a condição feminina, especialmente ligadas a educação. A diferença era enorme: os rapazes estudavam ciência e humanidades como se dizia na época, enquanto para as meninas a educação se restringia a noções de português e francês e às quatro operações aritméticas básicas, além do bordado. 
Em 1832, publicou “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, o primeiro livro no Brasil a tratar do direito das mulheres à instrução e ao trabalho, assinando com o nome de Nísia Floresta Brasileira Augusta. O livro era uma tradução livre do livro da feminista inglesa Mary Wollstonecraft: Vindications of the Rights of Woman

No mesmo ano ela e o marido, junto com sua mãe e duas irmãs decidiram mudar-se  para Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde teve seu segundo filho. Começou primeiro a lecionar e depois dirigiu um colégio para meninas. Em 1935, seu marido repentinamente adoece e morre aos 25 anos, deixando-a viúva, também com 25 anos e dois filhos pequenos. 

Em 1837, com o início da Guerra dos Farrapos, Nísia resolveu mudar-se com a família, composta só de mulheres e crianças, para o Rio de Janeiro, onde funda e dirige o Colégio Augusto. No colégio começa a efetivamente a colocar em prática suas idéias acerca da educação feminina. Além disso, o Colégio Augusto foi um dos primeiros a ter em seu comando uma brasileira, pois quem dirigia as instituições de ensino na cidade eram portugueses, franceses e ingleses. 
Nísia continuava a despertar a ira dos conservadores por seus métodos avançados de ensino, por dar palestras contra a escravidão e a favor da República e a escrever, principalmente contra a situação da mulher, mas também em defesa dos escravos e dos índios. 

Em 1849, 12 anos depois, Nísia deixou a direção do colégio e partiu para a Europa, para tratar da filha que tinha sofrido um sério acidente. Passou a morar na França, mas continuou escrevendo para jornais brasileiros artigos sobre a condição feminina e lançando livros. 
Voltou ao Brasil em 1852 e ficou até 1856, tendo inclusive trabalhado como enfermeira num surto de cólera que atingiu o Rio de Janeiro em 1855. 

Voltou à Europa em 1856, lá permanecendo até 1872. Tornou-se amiga de vários intelectuais importantes, especialmente Augusto Comte, que frequentava muito sua casa. Viajou bastante pelo continente europeu e publicou cadernos de viagem em francês e italiano, além de outras obras. Também artigos e livros publicados por ela em português foram traduzidos e publicados na Europa. 
Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, mas nada se sabe sobre sua vida nesse período. 

Em 1875 retornou definitivamente para a Europa. Nísia morreu em 1885, aos 75 anos, na França. Em 1948 sua cidade natal, Papari, passou a se chamar Nísia Floresta e em 1954 seus restos mortais foram transferidos para lá. 
Nísia é a nossa grande pioneira na luta pelos direitos das mulheres.

Próxima quarta-feira, dia 23/03, CORA CORALINA

4 comentários

  1. Ficou lindo o post! E o seu desenho está encantador!
    Bjs

  2. Maria Thereza Fragoso disse:

    Adorei . Os desenhos são maravilhosos. Parabéns às idealizadoras desse projeto. Abraços

    1. crisbalieiro disse:

      Oi Maria Theresa Fragoso, obrigada por suas palavras: estou adorando desenvolver esse projeto! Abraço Cris

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