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Heroínas do Brasil – Nise da Silveira

Nise da Silveira (1905/ 1999): médica psiquiatra que revolucionou o tratamento da esquizofrenia no Brasil
Nise

Nise nasceu em Maceió, Alagoas, em 1905. Era pequenininha, magrinha, mas sempre foi uma pessoa muito valente e lutadora. Foi uma das primeiras mulheres a se formar médica no Brasil, em 1926. Resolveu ser psiquiatra e tratar de doenças mentais e especialmente de doentes pobres. Dedicou sua vida à psiquiatria e sempre se manifestou radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque e lobotomia. Achava esses tratamentos cruéis e desumanos, além de ineficazes e lutou bravamente para mudar isso. 

Aprovada em 1933, aos 27 anos num concurso para psiquiatra começou a trabalhar no Hospital da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, para onde tinha se mudado. Durante a Intentona Comunista foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas e foi então presa em 1936, permanecendo por 18 meses na cadeia. Foi solta em 1939, mas ficou afastada do serviço público até 1944, quando foi reintegrada. 

Iniciou seu trabalho no Centro Psiquiátrico Pedro II, também no Rio, onde retomou sua luta contra as técnicas psiquiátricas que considerava agressivas e pouco eficazes. Por sua discordância com os métodos adotados, foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos. Ela então, no lugar das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam como terapia ocupacional, criou ateliês de pintura e modelagem. Com isso ela queria ajudar os doentes a reatar os vínculos com a realidade através da criatividade. Foi algo muito inovador e deu muito certo.

Em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, um centro de estudo e pesquisa e à preservação dos trabalhos produzidos pelos pacientes. Ela os enxergava como documentos que abriam novas possibilidades para uma compreensão mais profunda do universo interior dos esquizofrênicos e da psique humana de todos nós.
Em 1956 Nise desenvolveu outro projeto revolucionário para a época: criou a Casa das Palmeiras, um clínica voltada à reabilitação de pacientes oriundos de instituições psiquiátricas. A clínica tratava de pacientes externos, que não mais moravam em hospitais e que lá podiam expressar diariamente sua criatividade em diversas atividades. Desse forma podiam viver a etapa intermediária entre a hospitalização e a integração à vida em sociedade.

Através de todos esses trabalhos Nise começou a interessar-se por mandalas – que são desenhos circulares cheios de símbolos – pois reparou que muitos paciente as desenhavam. Escreveu então ao famoso psiquiatra suíço, Carl Gustav Jung, um grande estudioso desses símbolos. Ele gostou muito do trabalho que ela fazia e passaram a corresponder-se com frequência. 
Jung então a convidou a apresentar uma mostra do trabalho de seus pacientes que recebeu o nome: “A Arte e a Esquizofrenia” e ocupou 5 salas no II Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em 1957 em Zurique. 

Foi também pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais, que ela amava, especialmente os gatos e que costumava chamar de co-terapeutas. Seu último livro, escrito quando já estava com 93 anos, foi sobre os gatos! 
Nise revolucionou a psiquiatria praticada no país e influenciou muitos médicos no Brasil e em várias outras partes do mundo.

Próxima quarta-feira, dia 30/03: BIDU SAYÃO

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