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Heroínas do Brasil – Bertha Luzt

Bertha Maria Julia Lutz (1894 / 1976): importante líder feminista, cientista e bióloga
Bertha

Bertha nasceu em 1864, em São Paulo. Era filha do cientista Adolfo Lutz e de Amy Fowler, enfermeira inglesa. Adolescente foi completar sua educação na Europa, onde entrou em contato com a campanha sufragista inglesa. Em 1918 licenciou-se em Ciências pela Universidade Sorbone, França.  Decidiu então voltar ao Brasil, para a família e aqui desenvolver sua vida profissional, mas também determinada a lutar  para mudar a situação de submissão e invisibilidade das mulheres no país. 

No ano seguinte,1919, passou em um concurso e se tornou docente e pesquisadora do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, tornando-se a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no Brasil. Trabalhou no Museu por 46 anos, até se aposentar em 1965. Foi reconhecida internacionalmente por sua contribuição às pesquisas zoológicas, especialmente de espécies anfíbias brasileiras. 

Desde seu regresso ao Brasil, aos 24 anos, até sua morte aos 82 anos, Bertha foi uma defensora incansável dos direitos das mulheres! 
Em 1920, representou o Brasil no Conselho Feminino Internacional, órgão da OIT/Organização Internacional do Trabalho, onde foram aprovados os princípios de salário igual para ambos os sexos, assim como a inclusão das mulheres no serviço de proteção aos trabalhadores. 
Empenhou-se com toda energia e dedicação na luta pelo voto feminino e junto com outras mulheres criou a Liga para a Emancipação Intelectual da mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), a entidade política que visava divulgar o ideário feminista e buscar influenciar os detentores do poder sobre a importância da contribuição das mulheres para o mundo público. 

Ainda em 1922, com 28 anos, foi para os Estados Unidos como delegada oficial do Brasil na I Conferência Pan-Americana de Mulheres. Continuou lutando bravamente pelo voto feminino e em 1929 participou da criação da União Universitária Feminina. 

No mesmo ano, Bertha ingressa no curso de Direito para poder participar com mais autoridade na vida política e se formou advogada em 1933. 
Em 1931 participa como única mulher da redação do Código Eleitoral e em 1932, o presidente Getúlio Vargas, assina o Código que assegura o direito ao voto para as mulheres. 

Foi eleita suplente para deputado federal em 1934, após duas tentativas malogradas de se eleger. Em 1936 assumiu o mandato, que durou pouco mais de um ano, por causa da decretação do Estado Novo. As principais bandeiras de sua luta no Congresso eram mudanças na legislação trabalhista com relação ao direito feminino ao trabalho, contra o trabalho infantil, o direito a licença maternidade e a equiparação de salários. 

Bertha continuou a frente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, desde 1922 quando de sua criação, até 1942.
Em 1945 integrou a delegação do Brasil à Conferência de São Francisco  convocada para redigir o texto definitivo da Carta das Organizações das Nações Unidas. Bertha se empenhou para assegurar que a Carta da ONU fosse revista periodicamente, além de outras aspirações da diplomacia brasileira, mas seu grande feito foi o trabalho de apoio político para que Carta fosse redigida com o compromisso com a igualdade, entre homens e mulheres e entre as nações.
Entre 1953 e 1959 representou o Brasil na Comissão Interamericana de mulheres, como sua vice-presidente.

Bertha participou também da elaboração da legislação de proteção às florestas, nos anos 1950.

Por conta de sua atuação na Conferência, Bertha mesmo já doente, foi convidada pelo Itamaraty a integrar a delegação brasileira à Conferência do Ano Internacional da Mulher, realizada no México, em junho de 1975. 
Esse foi seu último ato em prol da melhoria da condição feminina: faleceu no ano seguinte.

Próxima quarta-feira, dia 15/06: MARIA LENK

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