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Heroínas do Brasil – Inezita Barroso

Ignez Magdalena Aranha de Lima, conhecida como Inezita Barroso (1925/2015): cantora, instrumentista, folclorista, atriz e professora
Inezita

Inezita nasceu na cidade de São Paulo, em 1925, filha de família tradicional paulistana. Passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares. Começou a cantar e tocar violão com sete anos e, com 11 entrou no conservatório para aprender tocar piano. Na adolescência realizou recitais e shows. Depois, já adulta se formou em biblioteconomia, pela USP, antes de se tornar cantora profissional. 

No início da década de 1950 casou-se com Adolfo Barroso, de quem adotou o sobrenome pelo qual ficou conhecida e mudou-se para Recife, onde começou sua carreira como cantora.
Sua primeira gravação em disco foi realizada no ano de 1951 e partir daí, Inezita gravou quase 100, fazendo enorme sucesso.
Também foi atriz, atuou em sete filmes e recebeu o Prêmio Saci, um dos mais cobiçados na época, pela atuação em “Mulher de Verdade” em 1954. 

Inezita foi uma grande pesquisadora da música caipira brasileira. Por conta própria, percorreu o interior do Brasil resgatando histórias e canções. Reconhecida por este trabalho, foi convidada a dar aulas sobre folclore em uma universidade paulista. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa. 
Ela também produziu documentários e programas de televisão, viajando por todo o mundo com seu repertório folclórico, ou “de raiz”, como preferia chamá-lo, para realçar o caráter original, as raízes da musicalidade popular brasileira. 

Apresentou por 35 anos, de 1980 até a sua morte em 2015, o programa de música caipira “Viola, Minha Viola”, pela TV Cultura de São Paulo. 
É uma das cantoras mais premiadas do Brasil, sendo detentora de mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira. Sua longa carreira foi coroada com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e com a escolha de seu nome para ocupar uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras, em 2014. 

Próxima quarta-feira, dia 08/06: BERTHA LUTZ

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