O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Conto de fadas escrito por Voltaire, maravilhosa viagem ao passado

No meio de uma disputa para conseguir a mão da lindíssima Princesa da Babilônia, na qual três reis estão fracassando, surge um cavalheiro perfeito montado num unicórnio e consegue tudo – inclusive fazer a princesa se apaixonar por ele. Porém ele tem que partir inesperadamente, deixando com a princesa Formosante uma ave fênix que fala e dá sábios conselhos.

Então que faz a princesa? Fica esperando que nem uma antiga princesa disney? Nada disso: sai pelo mundo numa longa peregrinação em busca de seu amado, que descobre ser rei dos “gangários”: habitantes do Ganges, local que era considerado um paraíso na terra. Uau.

A Princesa da Babilônia não é apenas um conto de fadas: é um conto de fadas escrito por Voltaire, o filosofo iluminista que até hoje nos influencia. E ele aproveita a história para zombar de reis, dos padres, dos espanhóis (“só se vestem de preto e fazem a pior comida do mundo”; os mocinhos da história mandam buscar as refeições deles na França, logico!), para falar bem da Imperatriz Catharina da Russia, mal do Papa e muito mais.

Além de ser irônico e divertido, a gente faz um verdadeiro passeio pelo mundo do final do sec XVIII, fica a par das principais ideias de Voltaire, das fantasias muito loucas que se acreditava na época, e também de sabedorias escritas em linguagem clara. Veja por exemplo o que a fênix (de 27 000 anos de idade) fala sobre ressurreição:

A ressurreição, Alteza – disse-lhe a fênix, – é a coisa mais simples deste mundo. Não é mais surpreendente nascer duas vezes do que uma. Tudo é ressurreição no mundo; as lagartas ressuscitam em borboletas, uma semente ressuscita em árvore; todos os animais, sepultados na terra, ressuscitam em ervas, em plantas, e alimentam outros animais, de que vão constituir em breve uma parte da substância: todas as partículas que compunham os corpos são transformadas em diferentes seres. É verdade que sou o único a quem o poderoso Orosmade concedeu a graça de ressuscitar na sua própria natureza”.

1 comentário

  1. Ana disse:

    Legaaaal ! Já li Zadig dele, é nesse estilo de História Fantástica – vou buscar esse aí para ler

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *