O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Héstia e Hécate

No nosso último encontro de Mitologias do Feminino falamos de duas deusas gregas menos conhecidas: Héstia e Hécate.

Héstia personifica o Fogo Sagrado, é a Deusa da lareira. Metaforicamente, ela é o Fogo Sagrado do centro da lareira do lar, da Pólis (a cidade grega) e da Terra/Planeta. Assim como o fogo doméstico era o centro religioso da casa dos homens, o fogo público nos templos era o centro religioso da cidade, Héstia era o centro religioso do lar dos Deuses: o Olimpo.

Falamos da importância de criar dentro de nós um centro, um lugar para nossa Héstia interna. Um espaço de quietude, de serenidade, mas com nosso “Fogo Sagrado”, para onde possamos voltar, especialmente quando estivermos mais perdidas de nós mesmas. Um espaço onde a gente se lembre de quem é e possa recuperar nosso rumo se o tivermos perdido. Um espaço de solidão dos outros e do mundo, mas onde estejamos plenamente em nossa companhia, habitadas por essa chama vital.

Hécate é uma Deusa ao mesmo tempo Ctônica (ligada às profundezas da Terra) e Lunar (representando as faces da Lua), sendo por isso também mutável e cíclica. É ligada ao Mundo das Sombras (e do inconsciente). É a deusa das encruzilhadas, a que pode ver 3 caminhos e seus resultados ao mesmo tempo. Seu horário é o crepúsculo. Quando caminha carrega uma tocha em cada mão e é acompanhada por duas cadelas, duas éguas e duas lobas, todas negras.

Falamos que Hécate é a deusa da intuição. Quando nos encontramos em encruzilhadas na vida – profundas, complexas e que trarão um profundo impacto sobre nós –não sabemos o que escolher. Naqueles momentos em que a racionalidade, a praticidade, o bom senso, a tradição e as autoridades externas não dão conta nem podem opinar sobre nossa escolha, só nossa voz interior. Temos então que evocar nossa Hécate interna para que com suas tochas ela ilumine nossa intuição e nos leve para o caminho que tenha a ver com a nossa alma.

E que é preciso entrar como nossa Héstia interna no nosso centro e nosso silêncio para ouvir a voz de Hécate!

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