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Namoradxs: quando ninguém é bom o suficiente… nem nós mesmas

Ninguém nunca é bom o suficiente; pensa-se que se pode achar outro melhor, como se fosse uma mercadoria. Essa frieza pode provocar o oposto: quando finalmente se entrega, a pessoa dependura-se emocionalmente no parceiro, perdendo a si mesma e sufocando o outro. É um lado sombrio dos relacionamentos atuais. Do lado luminoso, a chance de ser feliz, amar e apostar numa relação que pode ser constantemente redescoberta e reinventada.

Isso eu disse numa entrevista uns anos atrás. Hoje aqui trago um pouco mais sobre o tema, abaixo na voz da Connie Zweig, no livro O jogo das sombras:

Muitos relacionamentos esgotam-se rapidamente por causa de sexo demais, exigências demais, ou carência demais, tudo muito cedo. Ir devagar é permitir que o tempo, em si, influencie o processo: tempo para relaxar juntos, tempo para ver o Outro e para ser visto, tempo para ultrapassar as projeções iniciais e adquirir uma ideia da verdadeira identidade do outro.

Algumas pessoas solteiras culpam a si mesmas por seu destino, sentindo-se inadequadas, pouco atraentes, e sem salvação possível. Neste caso, são elas mesmas que não são suficientes – suficientemente magras, suficientemente bem-sucedidas, inteligentes, sexy etc. Para algumas, esta vergonha leva a dietas infindáveis, ginástica, terapia, festas de solteiros, e livros de auto-ajuda.

Toda esta atividade compulsiva talvez sirva para encobrir um sentimento de ódio por si mesmo, e um desejo de consertar uma falha secreta, que parece sempre ter estado lá…. Freqüentemente, as pessoas que se queixam de dificuldades na intimidade têm um enorme anseio por amor, e uma fantasia de que, se pudessem melhorar a si mesmas, o amor apareceria. Vivem na esperança de que se seu defeito for consertado, a pessoa certa aparecerá na próxima esquina.

Em vez de culpar os outros por não estarem à altura (“Não existem homens que saibam lidar com a intimidade”), ou culpar a nós mesmos por um defeito fatal (“Fui molestado por minha mãe, por isso não posso confiar nas mulheres”), podemos aprender a identificar quando um personagem particular assume o controle e recria os antigos padrões de sofrimento. Mantendo-nos firmes na respiração, podemos aprender a honrar as necessidades da sombra sem nos entregarmos a ela, e seguir o pedido do Self para arriscar mais autenticidade.

Com esta prática, podemos nos tornar mais verdadeiros em nossos encontros, procurando contato real com a outra pessoa, em uma exploração mútua, em vez de exibir uma fachada falsa para atingir um resultado predeterminado. À medida que nos tornamos menos defendidos e mais vulneráveis, podemos aprender, ao mesmo tempo, a honrar os próprios limite e proteger nossas fronteiras. Por último, se confiarmos na mágica do processo, em vez de tentar controlá-lo com o ego e fazer acontecer de uma certa forma, o processo pode se elevar para uma oitava acima – o romance. E teremos encontrado um relacionamento que alimenta a alma”.

 

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