O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Usar instintos e intuição para selecionar e escolher as coisas – primeira tarefa de Psiquê

No mito de Eros e Psiquê, uma jovem – Psiquê – perde seu amor, Eros, e tem que fazer 4 tarefas para reencontrá-lo (se você quiser um resumo há um filminho nesse post aqui).

Sua primeira tarefa foi selecionar e separar uma imensa quantidade de  trigo, cevada, milho, grãos-de-bico, sementes de papoula, lentilhas e fava que estavam todas misturadas – e ela tinha que fazer isso em uma só noite!

Era uma coisa impossível para ser feita por uma pessoa, mas uma formiguinha que por ali passava resolveu ajudar Psiquê. Convocou um batalhão de formigas e lhes pediu que todas juntas fizessem esse trabalho, e assim elas conseguiram separaram espécie por espécie e grão por grão, no prazo certo.

E aí você pode perguntar:  – Mas que tarefa mais estranha é essa?

Bom, de certa forma é a que fazemos todo dia. Olha só:

As coisas no mundo nos chegam todas misturadas, sem ordem. Uma multiplicidade de imagens e formas sem fim surgem o tempo todo. Temos também um monte de percepções misturadas fluindo incessantemente.

E aí, de modo consciente ou não, nós as separamos.

Escolhemos as que vamos prestar atenção, atender, preferir.  Valorizamos algumas coisas em relação a outras. Por exemplo:  – Eu prefiro emagrecer ou ter o prazer de comer o chocolate? Prefiro ir nesse lugar ou naquele outro?

Enfim,  o tempo todo nós separamos, organizamos, e consequentemente priorizamos as coisas.

Você já pensou no modo como fazemos isso? Que critérios utilizamos?

Vamos voltar para o que ensina o mito de Psiquê: ela é uma heroína feminina, fazendo uma jornada feminina, e está numa tarefa envolvendo cereais, que são ligados às deusas femininas da terra,  Demeter e Perséfone – então, é natural que quem a ajude são as formigas, que são as “as filhas mais próximas da terra” pela mitologia.

Ou seja, para ter sucesso Psiquê seleciona e separa os grãos não de uma forma direta, só “cabeça”, só racionalista e considerada “masculina”, e sim com o auxílio das forças naturais da terra, mitologicamente femininas. Em outras palavras, ela tem que usar não apenas a razão mas também a intuição, o sentimento,  o que lhe sopra o inconsciente e os instintos.

Essa forma mais aberta de usar mais recursos para selecionar e consequentemente escolher as coisas é uma tarefa que nós podemos aprender com ela, né não?

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