O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Sombra, projeção, aceitação de si…

Ken Wilber e Jung falam sobre nossas Sombras: pensar sobre elas é imprescindível nesses tempos que atravessamos. Esse texto está na página 298 do livro AO ENCONTRO DA SOMBRA, organizado por Connie Zweig e Jeremiah Abrams, de leitura super recomendada por vários motivos, mas acima de tudo por sua atualidade hoje!

Todos nós temos pontos cegos – tendências e traços que simplesmente recusamos admitir como sendo nossos, que nos recusamos a aceitar e que, portanto, arremessamos sobre o meio ambiente, onde lançamos mão de todo o nosso falso moralismo para, enfurecidos e indignados, lutar contra eles, sem perceber que o nosso próprio idealismo nos cega ante ao fato de que a batalha é travada no nosso íntimo e de que o inimigo está muito mais próximo de nós. E a única coisa necessária para que esses aspectos sejam integrados é tratar a nós mesmos com a mesma bondade e compreensão que dispensamos a nossos amigos. Como Jung, com a maior eloquência, afirma:

A aceitação de si mesmo é a essência do problema moral e a epítome de toda uma visão de vida. Alimentar os famintos, perdoar um insulto, amar um inimigo em nome de Cristo – todas essas, sem dúvida alguma, são grandes virtudes. Aquilo que eu faço ao menor dos meus irmãos, eu o faço a Cristo. Mas o que acontece se eu descobrir que o menor dentre eles, o mais pobre dentre os mendigos, o mais impudente dentre os pecadores, o próprio inimigo, todos eles estão dentro de mim e que eu, eu mesmo preciso das esmolas da minha própria bondade, que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado – o que acontece então?

Será que se de fato tivermos a coragem ética de nos conhecermos e nos aceitarmos, nos acolhermos em nossa humanidade tão falha, nos perdoarmos pela nossa imperfeição, não vamos parar de projetar todo esse auto desprezo e até auto ódio… nos outros???

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