O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Uma história de Iemanjá


Em iorubá, Iemanjá significa mãe cujos filhos são peixes. Ela é uma Grande Mãe Primordial arquetípica. Participa dos mitos de criação do mundo, representando o Princípio Feminino.
Um mito conta que Iemanjá vivia sozinha no Orum (céu), onde dormia, se alimentava, tinha uma vida boa, mas era muito sozinha.
Olodumaré, o Deus Supremo, com pena da sua solidão, decidiu que ela precisava ter com quem partilhar a comida, com quem conversar, com quem brincar, enfim, que ela precisava ter uma família. Então fez a barriga dela crescer e nasceram as estrelas dela. Mas as estrelas subiram para a abóbada celeste e Iemanjá continuou sozinha.
Então ele fez sua barriga crescer novamente e dela saíram as nuvens. No entanto as nuvens andavam sem parar no céu, além de que, de repente, viravam chuva e caíam sobre a terra. A solidão de Iemanjá continuava.
Foi então que Olodumaré fez com que sua barriga crescesse mais uma vez e dela saíram todos os orixás! Dessa forma, Iemanjá nunca mais sentiu-se só: ela agora tinha filhos e uma família!
Na África, Iemanjá é considerada a Senhora de Todas as Águas do Mundo; no Brasil é a Dona das Águas Salgadas do Mar e dos Oceanos. É a Rainha do Mar, padroeira da pesca e protetora dos pescadores.
Aqui teve uma profunda relação mítica com Nossa Senhora dos Navegantes, das Candeias e da Conceição, com as sereias do paganismo europeu e com as iaras ou mães-d’água dos indígenas. Por isso, em muitas representações aparece como uma mulher branca de longos cabelos negros e às vezes com rabo de peixe.
É a orixá mais conhecida no Brasil e pode ser considerada nossa Grande Mãe africana.

Trecho do livro O LEGADO DAS DEUSAS

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