O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Um filme, uma série e 2 documentários com mulheres inspiradoras na telinha

Boas ideias e boas relações femininas num mundo complicado: isso é o que tem em comum essas 4 sugestões. Mulheres na ficção ou na vida concreta que se apoiam, se afirmam, têm afeto, intuição, coragem.

O que mais me marcou no filme indiano SONI é ver a bela relação de uma policial esquentada e sua chefe mais madura que trabalham numa delegacia de Nova Delhi. Igual a tantos heróis masculinos de filmes de ação, Soni não aguenta muito desaforo (e machismo) e vai resolvendo as paradas sozinha a seu modo explosivo. Mas, ao contrário dos heróis que são glorificados por isso, ela não tem respaldo a não ser o de sua chefe, sensata mas apoiadora porque, como diz a Raquel Marques, a gente se reconhece na violência. Bem feito, boas atrizes, bom argumento. Netflix

Na serie policial inglesa COLLATERAL, o assassinato de um entregador de pizza sírio leva a detetive Glaspie a se envolver na questão de duas imigrantes ilegais, uma delas grávida como a própria detetive. Sua solidariedade humana e feminina são motivo de menosprezo por parte de seu parceiro de trabalho e de outros colegas. Quando consegue marcar um ponto, ela diz para um arrogante membro do MI5: – “E você achava que eu era burra, né”? O olhar dele diz tudo. Carey Mulligan está ótima como a obsessiva e intuitiva Glaspie. Netflix.

Se parar no alto de uma montanha e achar que vai cair, você cai. Se achar que vai voar, você irá voar”, diz a chefe de cozinha ASMA KHAN em CHEF´S TABLE. Sua mãe chorou quando ela nasceu – não por felicidade, mas por ela ser menina e não menino. E ela dá a volta por cima, apoiando e sendo apoiada por um círculo de mulheres refugiadas que hoje são sua equipe no prestigiado restaurante em Londres. Assisti por recomendação da Cris e recomendo para todas as mulheres verem a magica que acontece quando mulheres se dão a mão e acreditam em si mesmas. Netflix.

Assistir CHEF´S TABLE JEONG KWAN é ter um imenso prazer estético, espiritual, sensorial, paisagístico. A monja budista Jeong faz da cozinha um ato meditativo – e depois de assistir eu estava me sentindo melhor do que antes, quase como tivesse meditado também. “Eu cozinho para a mente”, ela diz. Sua vida é marcada pela forte relação que teve com a mãe, fonte de força e inspiração, e pela determinação em seguir seu caminho. Amei. Netflix.

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