O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

A importância das avós para as mulheres


A psicoterapeuta americana Naomi Ruth Lowinsky (apud Zweig, 1994, p. 137) fala da importância das avós para as mulheres:

O significado psicológico da avó é um aspecto de um padrão arquetípico ao qual dou o nome de linhagem materna. A psique de uma mulher se organiza em torno de uma conexão central com uma continuidade feminina e da capacidade de parir do Feminino. A mulher, que é tanto mãe como filha, avó e neta, carrega em sua experiência vivida esse mistério central do Feminino.

As avós evocam as imagens da Velha Sábia ou da Bruxa, figuras que existem em todas as tradições mitológicas e em nosso imaginário coletivo. Jung (2012, p. 107) afirma:

[…] todas as qualidades fabulosas e misteriosas desprendem-se da imagem materna, transferindo-se à possibilidade mais próxima, por exemplo, à avó. Como mãe da mãe, ela é “maior” que essa última. Ela é propriamente a “Grande Mãe”. Não raro ela assume traços de sabedoria, bem como as características da bruxa.

E quais são essas características? Para começar, a maioria das “bruxas” dos desenhos animados e da imaginação popular é representada como velhas esquisitas. Também as “bruxas” de carne e osso que foram levadas às fogueiras por vezes eram mulheres mais idosas e com aparência, atitudes ou costumes diferentes dos aceitos pelas autoridades masculinas civis e religiosas. Rebeldes, em suma.

Além dessa rebeldia voluntária ou involuntária em relação aos padrões, muitas mulheres perseguidas eram eficientes parteiras, curandeiras, artesãs e benzedeiras, habilidades que hoje estão sendo revalorizadas em vários meios, mas que na época desafiavam o incipiente capitalismo. Em seu trabalho de formiguinha, elas concorriam com os novos negócios de exploração popular que começaram a surgir a partir dos séculos XVI e XVII – e, não por coincidência, essa época foi o auge das fogueiras e perseguições às “bruxas” (Federice, 2017).

E, claro, elas eram “esquisitas” também por desafiar a Igreja, tanto católica como protestante, por sua espiritualidade intuitiva e pouco disposta a aceitar imposições religiosas.

Então, não é de estranhar que muitos círculos, cursos e rituais femininos estejam resgatando a imagem da Grande Avó, ou abuelita como é carinhosamente chamada no México, assim como alguns conhecimentos arcaicos e estilos de vida que foram relegados ao esquecimento com a desvalorização do que é caseiro e feminino.

Trecho do livro CÍRCULOS DE MULHERES, AS NOVAS IRMANDADES

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