O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Obá, a ancestral guerreira

Obá é uma orixá feiticeira, poderosíssima e implacável, de vontade férrea e determinada, uma amazona justa, combativa, destemida e de temperamento apaixonado e irascível. Seus símbolos são a espada, o escudo, o arco e flecha e o chicote de crina de cavalo.

Desconhece o medo, é prática, objetiva, poderosa, leal e corretíssima. É a solucionadora das causas impossíveis e complicadas, mas só ajuda os injustiçados. Domina qualquer arma melhor que qualquer orixá masculino. É a guerreira espiritual suprema.

Seu domínio são as aguas turbulentas, como as pororocas, as aguas revoltas dos rios, as quedas d’aguas. Tem também ligação com o elemento terra, pois  se esconde na floresta, onde caça com seu grande amigo Oxosse; com o elemento ar por se associada as feiticeiras-passáros, as Iami Oxorongás e com o elemento fogo, pela ligação com a feitiçaria.

É a Senhora da sociedade feminina secreta Elekô, proibida aos homens. Essa sociedade secreta é formada por guerreiras feiticeiras míticas que não tem polegar e são ambidestras no manuseio das armas (usam os 8 dedos como se fossem 100). Por isso é a principal orixá no culto das gueledés, que são as ancestrais femininas que retornam ao Aiê, a Terra, escondidas sob enormes máscaras repletas de axé*.  Obá é a representante suprema da ancestralidade feminina.

Um mito de Obá

“Certo dia, em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá, quando percebeu ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá. Xangô era muito curioso se aproximou da cena, para observar à espreita. Prontamente se encantou com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração Xangô foi notado. As mulheres o cercaram, e ele foi levado à presença da orixá. Esta lhe comunicou que era grave sua falta e que o preço por violar o culto sagrado de Elekó era a morte. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangô, e relutou em aplicar a sentença de morte, usando de sua supremacia no culto para ditar nova regras: “Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte” Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o início de uma grande paixão. A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem que ia muito além do ódio. A rainha de Elekó aprendeu a amar e ser amada. Nasceu, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, chamada Opará, bela, justiceira e feroz como os pais. Foi ela quem prosseguiu com o culto de Elekó”.

* Esse culto foi sendo substituído no Brasil, a partir dos anos 40 pelo culto aos eguns-eguns, os ancestrais masculinos.

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