O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Iamis Oxorongá: as Senhoras dos pássaros – parte 2


IÁ MI CHEGAM AO MUNDO COM SEUS PÁSSAROS

As Iá Mi Oxorongá são nossas mães primeiras, raízes primordiais da estirpe humana, são feiticeiras.
São velhas mães-feiticeiras as nossas mães ancestrais. As Iá Mi são o princípio de tudo, do bem e do mal.
São vida e morte ao mesmo tempo, são feiticeiras. São as temidas ajés, mulheres impiedosas.
As Oxorongá já viveram tudo o que se tem para viver. As Iá Mi conhecem as fórmulas de manipulação da vida, para o bem e para o mal, no começo e no fim.

Para que as Iá Mi não deixem de cumprir sua função, que é extremamente vital para a comunidade, sociedades africanas secretas foram formadas com a responsabilidade de cultuar e prestar as devidas homenagens às Mães. Uma delas é o culto Geledé. Originalmente, Geledé é uma forma de sociedade secreta feminina de caráter religioso, expressando o poder feminino sobre a fertilidade da terra, a procriação e o bem estar da comunidade. Visa também, apaziguar e reverenciar as Mães Ancestrais, para assegurar o equilíbrio do mundo. As Iá Mi Oxorongá são as “Senhoras da Vida”, quando devidamente cultuadas e reverenciadas são o ventre do mundo, fonte da criação. Se esquecidas, lançam toda sorte de maldição e transformam-se em “Senhoras da Morte”. Uma das cantigas entoadas no festival Geledé expressa suas características.

Mãe todo-poderosa, mãe do pássaro da noite.
Grande Mãe com quem não ousamos coabitar.
Grande mãe cujo corpo não ousamos olhar
Mãe de belezas secretas
Mãe que esvazia a taça
Que fala grosso como homem,
Grande, muito grande, no topo da árvore Iroko,
Mãe que sobe alto e olha para a terra
Mãe que mata o marido, mas dele tem pena

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