O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Sobre a Velha…


A Grande Mãe, deusa tríplice com suas 3 fases: Donzela, a criadora, Mãe, a mantenedora e Velha a ceifadora abrigava a visão cíclica da vida composta de nascimento/vida/morte/renascimento e assim por diante. Depois da Velha vem a Donzela e aí tudo segue. A vida, assim como a natureza era vista como cíclica. A maioria das religiões antigas abriu espaço simbólico para a imagem feminina mais sombria. Era uma visão menos centrada no ego.

O caldeirão da deusa simbolizava que a criação ocorria não apenas uma vez, como na história da Bíblia, mas constantemente, num processo de criação eterno. Simbolizava o poder da deusa que formava cada criança no útero, cada planta em sua semente, cada pássaro, cada peixe em seu ovo: força vital, natureza eram nomes alternativos da deusa. Tudo era criado nela e retornava a ela na época da dissolução.
Essa visão naturalista do mundo foi posta de lado pelas religiões patriarcais que eram basicamente antinatureza, consideravam toda carne pecaminosa e toda morte um castigo e não um processo universal de reciclagem. Homem é visto como o centro da criação. Criador não faz parte da sua criação.

Na religião do Pai foi negada a fase Velha/morte, então não há renascimento, após a morte vem a Vida Eterna. É a negação da vida/natureza como cíclica. A visão da Velha que mostra ao homem sua impotência diante da velhice, da doença e da morte teve que ser banida e seu temor foi projetada nas mulheres velhas.
As perseguições as feiticeiras foram mais uma manifestação do interminável esforço dos homens de negar o arquétipo negativo, a Velha Mãe que pode destruir.
Nas religiões da Europa pré cristã a magia, cura, fertilidade, nascimento, morte, cerimônias sazonais e a literatura sagrada eram na maior parte domínio das mulheres, especialmente das mulheres/sacerdotisas mais velhas. Com o passar do tempo o cristianismo quebrou a espinha do sistema tribal centrado na mulher.

Baseado no livro de Bárbara G Walker: A Velha, mulher de idade, sabedoria e poder.

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