O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Uma breve história dos Círculos de Mulheres


No nosso novo livro um dos tópicos é uma breve história dos Círculos de Mulheres, começando na pré-história e indo até a proposta do Milionésimo Círculo. Segue um pequeno trecho.

Dando mais um salto no tempo, vamos para a segunda metade do século XX: década de 1960, época de enormes mudanças culturais. Foi um momento em que praticamente todos os pressupostos e valores que regiam a vida e o comportamento passaram a ser questionados, especialmente pelos jovens. Esse movimento, chamado de contracultura, se alastrou por todo o mundo ocidental e em sua esteira ressurgiu a luta pelos direitos da mulher.
Nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina, pequenos grupos de mulheres começaram a se reunir para discutir de forma ampla a condição feminina. Chamados de “grupos de criação ou expansão de consciência”, eles colocavam em xeque não apenas a escassez ou ausência de direitos das mulheres no mundo público, mas também no privado, no casamento, na família – enfim, dentro do “coração” da cultura.
Os grupos reuniam-se na casa das participantes, em cafés, escritórios etc. Nesses encontros, cada mulher deveria falar partindo da própria experiência e não apenas de um ponto de vista teórico. Nenhum aspecto da vida era deixado de lado. Depois de participar de um grupo, cada mulher era encorajada a tornar-se uma formadora de outro “grupo de consciência”, e assim estes foram proliferando.
Nesses encontros, as mulheres tomavam consciência das condições opressivas em que viviam e descobriam ter muito mais experiências em comum do que imaginavam. Como afirma a feminista e escritora Gloria Steinem, no livro Moving beyond words (1994), a ideia era: “Conte sua verdade pessoal, ouça as histórias das outras mulheres, perceba os temas em comum e descubra que o pessoal é também político – você não está só”.

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