O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O que é Bliss?


Bliss
Não é a agonia da busca; é o êxtase da revelação.
(Joseph Campbell, 2003a)

A bliss é a culminância da jornada, quando o herói/a heroína encontra seu “pote de ouro no fim do arco-íris”. Quando as pessoas perguntavam a Campbell o que deviam fazer para ter uma vida significativa, ele sempre respondia, especialmente nos seus anos de maturidade e velhice: Follow your bliss.
Essa palavra-chave pode ser traduzida por bem-aventurança (usada nas edições brasileiras de seus livros), felicidade, alegria, êxtase . Não consideramos, no entanto, que nenhuma dessas palavras em português expresse, sozinha, o sentido de bliss adequadamente.
Uma de suas editoras no Brasil, Edith M. Elek, no livro Mito e transformação, falando sobre a dificuldade de traduzir bliss e sobre sua insatisfação pessoal com a tradução “bem-aventurança”, diz:
“Follow your bliss pode conter: siga o seu caminho, encontre o seu lugar e o seu papel no mundo e viva-o plenamente, mesmo que isso implique dificuldades e algum sofrimento. Porque, quando fazemos o que é certo para nós, provavelmente será o certo também para o mundo. […] quando estamos vivendo a nossa bliss, tudo se encaixa e nos sentimos realizados. Qual seria, então, uma boa escolha para bliss? Plenitude? Realização? Caminho pessoal?”
A grande dificuldade de traduzir bliss por uma palavra só é que o termo tem inúmeras dimensões e sentidos. Como qualquer palavra carregada de significado, não se sujeita a uma definição precisa. Podemos captar sua essência apenas amplificando-a mediante exemplos e símbolos. 
Podemos pensar em bliss como expressão da alma, como um dom, uma vocação, a nossa mais profunda singularidade, o verdadeiro tesouro que viemos colher nesta vida. A essência de bliss é aquilo que nos faz sentir plenamente vivos.
A bliss contempla tanto um estado de ser quanto algo externo que nos leva a tal estado. A bliss é esse “algo” externo, mas que ressoa profunda e intimamente em nosso mundo interno, como se o “fora” e o “dentro” fossem feitos do mesmo material, provocando uma identificação quase imediata. A impressão é a de encontrar no mundo alguma coisa que expresse a singularidade da nossa alma.
A bliss é profundamente mobilizadora e abrange a totalidade da pessoa, podendo se amalgamar à sua identidade e, de certa forma, modificando-se, personalizando-se nesse encontro também.
A bliss pode ter também o sentido de vocação pessoal, aquilo que se veio fazer na vida.
A bliss de cada pessoa é composta de algo que a leva a sentir-se plena de vitalidade. Traz um sentimento maior do que alegria e prazer. Pode até haver dor e tristeza, mas existe sempre a sensação de plenitude, de sentido, de viver a vida que “se nasceu para viver”.

Trechos do livro O FEMININO E O SAGRADO – mulheres na jornada do herói

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