O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Bons Círculos de Mulheres curam feridas antigas

                      arte Catie Atkinson

O poder de cura de grupos femininos é muito forte, mas precisa ser mais divulgado. Como diz o ditado, “notícias ruins correm mais depressa e fazem mais sucesso do que as boas”, em redes sociais tenho visto algumas mulheres se queixando de grupos femininos que lhes causaram más experiências. E os benefícios, que são tantos? Cabe a nós nos unirmos: vamos trazer luz, falar de luz e buscar a luz, amigas! Esse trecho do livro CÍRCULO DE MULHERES – AS NOVAS IRMANDADES vai nesse caminho, olha só:

“Ao falar de jornadas de cura nos círculos, não usamos a palavra “cura” no sentido em que o dicionário e a medicina a utilizam, que é “restabelecimento da saúde”. Estamo-nos referindo a algo sutil, subjetivo e mais amplo: às curas que decorrem dos processos pessoais e coletivos de desconstrução de crenças tóxicas.

Acontece que muitas das crenças debilitantes que nós, mulheres, temos a respeito de nós mesmas devido à cultura em que fomos criadas nos machucam psicologicamente (e tantas vezes fisicamente!), formando feridas que precisam ser limpas e tratadas com delicadeza e paciência.

São essas crenças que os círculos de mulheres questionam, mesmo que às vezes nem toquem intencionalmente nisso. Seja enquanto bordamos, dançamos, estudamos mitologia, comemos um bolo, lutamos por direitos, fazemos rituais ou o que mais quisermos fazer, se estamos juntas de modo igualitário e aberto, vamos tomando consciência delas e tratando uma a uma.

É como se fôssemos nos descobrindo juntas, “tirando os véus” que toldavam nossa visão, desvendando nossa verdadeira face e ao mesmo tempo revelando as opressões que nos machucam. Quando uma mulher se mostra dessa forma, ela ajuda e estimula as outras a fazer o mesmo.

Ana Cecília Nasi fala sobre o impacto que uma experiência dessas pode suscitar:

  • A primeira vez em que me senti uma mulher bonita foi dentro de um círculo de mulheres – não foi nos braços de nenhum homem, de nenhum amor. Foi quando me senti uma mulher linda, poderosa, porque eu me senti bem comigo e com todas sem a necessidade da aprovação de um homem. Isso é curativo e libertador!

E, ao ver outras mulheres como companheiras que vivem dificuldades semelhantes às nossas, percebemos que elas verdadeiramente podem nos entender e apoiar. E ainda descobrimos que estar juntas de forma aberta e íntima é prazeroso, aconchegante, divertido e estimulante. Rimos e choramos juntas de forma irmanada, sem pudores, e isso, mesmo que às vezes possa ser doloroso, é uma delícia!

Esses são efeitos de um profundo processo curativo da ferida milenar feminina que os bons círculos de mulheres propiciam”.

Fonte: Círculos de Mulheres – as novas irmandades, de Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro, Ed Ágora, link no menu lateral.

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